Carreira

Déficit de talentos de TI no Brasil pode chegar a 408 mil em 2020

Previsão é de estudo da Softex, caso o País não reforce medidas para aumentar o índice de mão de obra qualificada para atender o setor.

17 de Outubro de 2013 - 11h44
O Brasil pode chegar em 2020 com um déficit de mão de obra qualificada em TI .de 408 mil profissionais, caso o País não reforce programas para reverter esse quadro. As estimativas são da Associação para Promoção da Excelência do Software (Softex) com base no estudo NISB/Observatório Softex.
Como uma das maiores preocupações da indústria e dos CIOs, esse tema estará em destaque no II Encontro do Observatório Softex, que será realizado em Campinas nos dias 31 de outubro e 1° de novembro. 
“Por que há escassez de pessoal preparado para os novos desafios tecnológicos? Como construir um sistema educacional antenado no futuro?” é o assunto central da programação do evento no segundo dia.
Na oportunidade, Paulo Villela, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), analisará e quantificará o atual cenário de falta de mão de obra qualificada para o setor de TI no Brasil, tema de recente Caderno Temático publicado pelo NISB/Observatório Softex.  
“O trabalho aponta para um déficit aproximado de 408 mil profissionais em 2020. Mas o mais importante não são os números em si e sim a tendência de agravamento da situação de escassez de mão de obra qualificada. Se nada for feito para reverter este quadro, a situação tende a piorar. Essa é a principal conclusão do estudo”, analisa Paulo Vilela.
Perfil inadequado 
 
Para o professor da UFJF, essa carência decorre, em grande parte, da falta de sintonia entre o perfil profissional que as empresas precisam e o que as escolas técnicas e as de nível superior formam. “O número de profissionais graduados seria suficiente para atender à demanda do mercado de trabalho. Porém, nem todos que se formam atendem às expectativas dos empregadores”, pondera.
 
Paulo Villela comenta ainda que a área acadêmica forma um profissional mais abrangente e não voltado para tecnologias e necessidades específicas e imediatas, justamente o que a indústria requer. Por outro lado, ele lembra ser difícil formar um profissional para tecnologias específicas, uma vez que elas mudam radicalmente a cada dois ou três anos.
 
Villela entende que o problema não está na formação tradicional e sim na formação complementar necessária à adaptação do profissional que sai da escola ao perfil de cada empresa. “Talvez a indústria devesse assumir um papel mais ativo e ser incentivada pelo Governo a participar mais diretamente dessa formação complementar”, sugere.
 “O incentivo se justifica porque a formação de mão de obra custa caro e também envolve riscos diversos. Por exemplo: a empresa gasta dois anos para formar um bom profissional e no terceiro ele muda de emprego. E aí, quem paga essa conta?”, indaga.
Iniciativa em empresas 

"Como um exemplo a ser seguido, Paulo Vilela cita a parceria entre a Embraer e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) para a criação do Mestrado Profissional em Engenharia Aeronáutica. Na visão do professor da UFJF, o desafio consiste em ampliar essas ações numa escala nacional para solucionar os problemas de escassez de mão de obra das micro e pequenas empresas. “A dificuldade do Brasil é saber transformar as boas experiências de pequena escala em programas com as grandes dimensões que um país continental como o nosso exige. Não basta saber fazer, tem que saber fazer grande e isso não é uma tarefa fácil”, conclui.
 
Na mesa de debates com Paulo Villela estarão vários convidados, incluindo o pesquisador Paulo Nascimento, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); Roberto Mayer, vice-presidente da Assespro; e Silvio Meira, professor titular de Engenharia de Software do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que na oportunidade lançará o livro “Novos Negócios Inovadores de Crescimento Empreendedor no Brasil”.
 
A programação do segundo dia do Encontro também discutirá as relações entre academia, institutos de ciência e tecnologia e empresas. Serão apresentados esforços de construção de parcerias entre empresas de TIC e a academia realizados na Argentina pela Fundación Sadosky, e no Brasil, pela Inova/Unicamp e pelo CTI Renato Archer. 
O bloco contará também com a participação de Luiz Marcio Spinosa, diretor da Agência PUC e do PUCPR Tecnoparque; Renato Garcia, professor do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP); e Mariana Yazbeck, diretora de Operações da Softex.