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Cade recomenda que de fusão entre AT&T e Time Warner seja impugnada

Órgão antitruste afirma que "a operação não pode ser aprovada da forma como foi apresentada", uma vez que "a nova empresa teria capacidade e incentivos de adotar diversas formas de discriminação contra concorrentes"

25 de Agosto de 2017 - 20h22

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), recomendou ao tribunal da autarquia a impugnação da aquisição da Time Warner pela AT&T, controladora indireta da Sky. ]

Após a análise das informações obtidas junto ao mercado, a o órgão antitruste afirma que "a operação não pode ser aprovada da forma como foi apresentada", uma vez que "a nova empresa teria capacidade e incentivos de adotar diversas formas de discriminação contra concorrentes". Tanto a Sky quanto a Time Warner possuem relevante poder de mercado. Além de estar presente na televisão por assinatura através da Sky, a AT&T estaria estudando oferecer serviços de banda larga fixa e internet móvel no mercado brasileiro no longo prazo, com a aquisição da DirecTV, em 2014, por US$ 48,5 bilhões.

Segundo o Cade, tal alinhamento criaria incentivos para fechamento tanto no mercado de licenciamento/programação quanto no de operação de TV por assinatura, gerando preocupações concorrenciais. Segundo o órgão, o ato de concentração permitiria também à Time Warner ter acesso a informações sensíveis dos concorrentes por meio da Sky, enquanto a AT&T teria conhecimento das condições negociadas pelos rivais por meio da Time Warner.

Agora caberá ao tribunal do Cade decidir se aprova ou não o ato de concentração, ainda que mediante a imposição de restrições.

No ano passado, o conglomerado norte-americano de mídia AT&T fez uma proposta de US$ 85 bilhões pela Time Warner, dona da HBO, da CNN e dos estúdios Warner Bros, desencadeando uma série de preocupações concorrenciais nos Estados Unidos e no exterior.