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Cada 1% a mais no orçamento de TI amplia em 7% o lucro das indústrias, aponta FGV

Instituição identifica correlação entre proporção do orçamento das áreas de tecnologia com resultados das companhias brasileiras em um intervalo de dois anos

16 de Abril de 2015 - 14h31

Poucos argumentos são tão infalíveis no mundo corporativo quanto aqueles que tocam o bolso dos empresários. E os líderes de TI acabam de ganhar uma arma poderosa para pleitear maior participação nos investimentos das organizações. De acordo com um estudo da Fundação Getúlio Vargas, cada 1% a mais na proporção dos investimentos feitos em tecnologia aumentam em 7% o lucro das companhias em um intervalo de dois anos.

Fernando Meirelles, professor do centro de tecnologia da informação aplicada da FGV/EAESP, verificou essa correlação entre recursos canalizados à informática e a lucratividade em uma análise realizada ao longo da última década e levando em conta organizações que atuem no setor de indústria/manufatura e possuem capital aberto.

O especialista, contudo, identifica que o contexto certamente é verdadeiro para outras verticais de mercado. Ele faz, ainda, outras ressalvas: “Obviamente que esse crescimento não é exclusivo aos investimentos em TI, não dá para isolar, mas também não dá para negar esse fato”, acrescenta.

Meirelles é responsável por um estudo “Mercado Brasileiro de TI e Uso nas Empresas”, que anualmente mede a utilização e evolução da tecnologia no país. De acordo com a edição mais recente, as empresas que operam no País investiram e gastaram, em média, 7,6% de seu faturamento líquido em TI ao longo de 2014. Essa proporção cresceu sutilmente frente ao ano anterior, apesar do contexto econômico desfavorável.

“Foi pouquinho, mas cresceu”, comenta o professor, sinalizando que no ano anterior a proporção ficou de 7,5%. “Mas, no cenário que estamos, crescer qualquer em termos de economia merece uma salva de palmas”, acrescenta o executivo, que acredita que essa proporção tende a seguir uma curva ascendente também em 2015. “As empresas vão investir mais em tecnologia”, projeta.

Os setores de finanças e serviços puxam a média para cima. Os bancos brasileiros, por exemplo, aplicaram 13,8% de seu faturamento líquido em gastos e investimentos em TI. “O dobro do que a média”, constata. A vertical de serviços também influencia nessa curva, com 10,8% de seus resultados revertidos à tecnologia.

Sobre os setores mais propensos para ampliar o investimento em tecnologia, o professor destaca o varejo. "Essa tem um potencial gigantesco. Mas é preciso ter cuidado porque a cada 0,5% a mais da receita do varejo dá para fazer uma enormidade em informatização", pondera, observando oportunidade também junto ao governo e saúde.