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Brasil é o país com maior número de fintechs na AL, segundo o BID

Estudo Empreendimentos Fintech da América Latina, realizado pelo BID e a Finnovista, identificou 703 startups em 15 países, sendo 230 no Brasil

12 de Julho de 2017 - 14h48

Nos últimos dois anos a América Latina tem registrado um acelerado surgimento de novas empresas financeiras baseadas em plataformas tecnológicas conhecidas como Fintech, sinalizando uma profunda mudança nos mercados financeiros, e apresentando ao mesmo tempo um desafio para seus reguladores, segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Finnovista, uma organização que fomenta o desenvolvimento de empresas Fintech.

A dupla realizou o estudo Empreendimentos Fintech na América Latina, que identificou 703 empreendimentos em 15 países da região, com uma oferta de soluções que inclui todos os segmentos e tecnologias disponíveis globalmente, favorecendo o surgimento de uma indústria de serviços financeiros digitais mais inovadora e inclusiva na região.

O Brasil é o país com maior número de empreendimentos - com 230 empresas -, seguido do México com 180; Colômbia com 84; seguida da Argentina com 72 e Chile com 65. Esses cincos países concentram quase 90% da atividade Fintech na América Latina.

Segundo o estudo, três em cada cinco empresas Fintech foram criadas entre 2014 e 2016. Por estarem em sua "infância", o estudo indica que a maioria dos produtos e modelos devem amadurecer e crescer antes de se tornarem empresas sustentáveis.

Das startups identificadas, uma em cada quatro empresas operam como plataformas alternativas de financiamento, oferecendo empréstimos, financiamento colaborativo (crowdfunding) ou financiamento por meio de intermediação de faturas. Outra quarta parte opera como empresa de pagamentos. Entre as demais, há segmentos como gestão de finanças empresariais e pessoais, gestão patrimonial, seguros e bancos digitais.

Entre os entrevistados, 41,3% afirmam que sua missão é atender a clientes que são excluídos ou subatendidos pelos serviços financeiros tradicionais, seja pessoa física ou pequenas e médias empresas. Considerando que as Fintech buscam resolver problemas concretos de seu segmento, este enfoque tem potencial para fomentar a inclusão financeira.

“Estamos presenciando uma revolução na maneira em que as pessoas e as empresas lidam com suas finanças”, disse Gabriela Andrade, especialista em mercados financeiros do BID. “Além de conseguir menores custos ao adotar canais digitais, as Fintech usam distintas fontes de informação e novas técnicas para avaliar os clientes, seu comportamento e risco, o que permite chegar aos segmentos excluídos de forma mais acessível.

Regulação e setor público

Para que o setor possa se desenvolver e conseguir maior impacto, será necessário aprofundar o diálogo entre os empreendedores e os responsáveis por políticas e regulação. O estudo recomenda, por exemplo, a criação de bancos de teste regulatórios (regulatory sandboxes) temporários em que as Fintech podem operar, avaliar seus modelos de negócio e oferecer seus produtos em ambientes monitorados, assim como permitir uma transição suave para os empreendimentos e seus entes de controle rumo a uma regulação e supervisão adequada.

“Os países melhor preparados em termos regulatórios poderão aproveitar o impacto que as Fintech podem oferecer”, disse Juan Ketterer, chefe da divisão de Conectividade, Mercado e Finanças do BID. “Nesse sentido, o tempo é um fator chave, considerando a velocidade com que essas empresas estão se desenvolvendo. Vários governos da região estão considerando o desenvolvimento das Fintech como um dos pilares para reduzir a exclusão financeira”.

Em países como o Reino Unido e Singapura estão sendo oferecidas isenções temporárias sobre autorizações para as Fintech e se observa um papel mais dinâmico do setor público para criar um sistema de apoio ao setor. Outra tendência recomendada é a criação de algum tipo de institucionalidade pública que sirva de interlocutor entre a indústria e os responsáveis pela formulação de políticas.

“A colaboração entre as empresas jovens e os atores tradicionais da indústria é um elemento indispensável que deve se concretizado na América Latina", comenta Andrés Fontao, Managing Partner da Finnovista. “A regulação é um tema que requer ser tratado pelos governadores e legisladores, não com um fim restritivo e de maior controle, mas desde uma perspectiva que promova a competitividade e a inovação no âmbito nacional e regional”, disse.

A Finnovista é uma organização de impacto que acelera o desenvolvimento das Fintech e fortalece o ecossistema onde operam, especialmente na oportunidade fintech em mercados em crescimento onde existe uma lacuna entre o acesso a serviços financeiros e o acesso a tecnologias digitais envolvendo uma rede inteligente colaborativa que compreende os ecossistemas de empreendimento, investidores e indústria financeira de mercados desenvolvidos e emergentes.

Criado em 1959, o Banco Interamericano de Desenvolvimento é uma das principais fontes de financiamento de longo prazo para o desenvolvimento econômico, social e institucional da América Latina e o Caribe. O BID também realiza projetos de pesquisas de vanguarda e oferece assessoria sobre políticas, assistência técnica e capacitação a clientes públicos e privados em toda a região.