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Internet e conteúdo colaborativo: da música ao esporte

11 de Setembro de 2014 - 10h27

Os meios culturais costumam fazer uma divisão que opõe o mundo da cultura de massas ao submundo das expressões alternativas: o chamado “mainstream” (em tradução livre, “principal corrente”) compõe a grande cena da cultura popular, enquanto o “underground” (“de baixo do chão”) representa o pequeno cenário de artistas desconhecidos pela maioria da população.

Essa polarização é oportuna para comparar o alcance da cobertura dos veículos de massa com um outro campo de profundidade bastante ampliada, a Internet. Enquanto a grande imprensa dirige, unilateralmente, um conteúdo para um grande público, a web, por sua vez, oferece espaços em tese ilimitados de informação para públicos de perfil mais segmentado, em uma distribuição de fluxo multilateral, no qual a audiência é também produtora de mensagens e conteúdos. Desse modo, enquanto a mídia tradicional cria uma cena “mainstream”, a Internet abre janelas para cenários alternativos.

Isso explica porque, na era da informação, artistas até então desconhecidos pelos veículos de comunicação tradicionais se serviram de mídias como YouTube e MySpace, aliados às redes sociais como Facebook e Twitter, para se lançarem a um grande público que os desconheciam por falta de espaço na grade de programação de conteúdo oferecida pela mídia dominante.

Os exemplos saltam à vista: o grupo brasileiro de pop adolescente Restart, sucesso de vendas de álbuns, criou uma base de fãs fiéis na internet e tão logo subiu nos palcos das grandes casas de show ao redor do país; nos EUA, o pequeno notável Justin Bieber foi descoberto pelo seu empresário após virar um fenômeno nas mídias sociais; recentemente, o chamado “funk ostentação” tornou-se mais uma febre que extrapola os morros da periferia direto para o circuito de baladas noturnas dos grandes centros urbanos graças à viralização de vídeos compartilhados na internet. Em todos estes casos, os artistas foram produtores de seu próprio conteúdo e, ao mesmo tempo, disseminadores de tendências da cultura brasileira.

Mas não é só o mundo das artes que se divide em dois polos. No mundo dos esportes, por exemplo, o futebol também se quebra em duas realidades paralelas: de um lado, a grande cena dos times clássicos que disputam campeonatos de primeira classe; do outro, times não menos representativos, mas que concorrem em campeonatos de terceira e quarta divisões.

É nesse contexto que o modelo colaborativo de produção de conteúdo surge para reunir num só endereço o conjunto de iniciativas esportivas, por meio da produção, publicação e compartilhamento de informações que nascem da perspectiva da própria população. Tudo isso acontece graças a plataformas colaborativas que abrigam múltiplos canais de conteúdo e dão maior exposição a internautas interessados em divulgar sua opinião, sua visão.

O acesso do público de nicho à Internet, o alcance ilimitado da rede e a visibilidade oferecida pelas plataformas colaborativas permite criar um ambiente de cobertura expandido que abrange da cena mainstream à cena underground, da cultura pop à cultura alternativa, do Brasileirão ao campeonato de segunda divisão e os regionais.

*Derek Hall é americano e já atuou no mercado de investimentos e como locutor de jogos de basquete. No Brasil, é o fundador do Torcedores.com, portal colaborativo de esportes.

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