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A era da dependência tecnológica

30 de Outubro de 2013 - 17h00

*Por Mauro Segura

Existe um movimento acontecendo nas empresas que ainda parece um pouco obscuro, mas é uma transformação que está diante dos nossos olhos: a tecnologia está saindo do armário, ou seja, está deixando as fronteiras do departamento de TI e invadindo todos os as áreas da companhia como marketing, finanças, recursos humanos, vendas, logística, etc. A grande novidade é que os investimentos em tecnologia começam a sair das mãos do CIO e estão caindo nos braços de seus pares de negócio. A tecnologia está deixando de ser algo restrito ao back office e migrando aceleradamente para o front office. Uma das maiores evidências dessa mudança foi uma previsão publicada pelo Gartner em 2012 que afirma que em 2017 os CMOs das organizações terão um budget de TI maior que os próprios CIOs.

No entanto, tal migração ainda não é evidente. Sabemos que ela começa a ocorrer, mas parece que existe uma certa inércia dentro das empresas. Esta negação da transferência da tecnologia dos CIOs para as áreas de negócio tem uma razão muito simples: conveniência. Desculpe se sou um pouco ácido, mas existe um certo conforto por parte dos executivos das empresas em relação a isso.

Para o CIO, é conveniente que o investimento e as decisões de tecnologia continuem sob as asas dele, isso dá poder. Mas, mais do que isso, permite que o CIO e sua equipe continuem tendo o controle da TI dentro da empresa, cuidando da governança, o que é fundamental para qualquer organização. Por outro lado, CMOs, CFOs, CSCOs e CHROs ainda se sentem inseguros e sem autonomia para investir e tomar decisões em tecnologia. Para eles, é mais conveniente pedir e cobrar de alguém (no caso o CIO) a tecnologia que suas áreas demandam. Essa é a razão que está por trás da inércia na migração de mais autonomia de decisão em TI dentro das empresas.

Esse movimento migratório é inevitável. Mas, mais do que a migração, a direção parece ser a parceria. A pressão de todos os lados está fazendo os CIOs e os executivos de negócio se alinharem ao mesmo lado da mesa. Existe claramente um sentimento de colaboração mútua, mas que ainda esbarra na grande dificuldade da gestão da TI dentro das empresas, que tem que olhar para governança, segurança das informações, integração de bases de dados e tecnologias diversas, e programas legados, escalabilidade dos sistemas e muitas outras coisas que as áreas de negócio têm dificuldade de entender.

O crescimento desordenado, alinhado com a diversidade de plataformas de tecnologia existente dentro das organizações, colocou algemas no CIO que tem que lidar com grande complexidade operacional para fazer a TI evoluir dentro das empresas. Tal contexto faz com que os CIOs estejam sempre “devendo” dentro das companhias, que cobram alucinadamente que os projetos de TI saiam do papel.

As operações das empresas sempre dependeram de TI, o que fez com que os investimentos em tecnologia nas décadas passadas se concentrassem nos sistemas internos e na administração da própria organização. Agora a demanda da tecnologia vem de fora, na pressão dos clientes que cobram por mais inteligência, canais de relacionamento e conveniência de serviços. A área de marketing das companhias está totalmente dependente de tecnologia. A automação da área comercial virou prioridade absoluta.

Recursos humanos precisa cada vez mais de meios tecnológicos para desenvolvimento da força de trabalho, capacitação dos funcionários, recrutamento e nos processos de identificação de competências e talentos. Tendências como home office e globalização das empresas só se tornam viáveis em grande escala sob o uso intenso de ferramentas tecnológicas modernas.

A complexidade operacional e as demandas crescentes de investimento colocam uma pressão enorme nas áreas de administração e finanças, que demandam ferramentas analíticas poderosas, complexas e em “real time”. Esse cenário impõe uma pressão monumental nos líderes de marketing, finanças, recursos humanos, administração e outras áreas chave das empresas.

Quatro tecnologias emergem com força no mundo empresarial: Cloud Computing, Mobile, Social Business e Big Data/Analytics. Tais tecnologias estão virando de perna para o ar o mundo de TI das empresas. Surgem no mercado inúmeros serviços on demand, proporcionando independência e facilidade de uso e rapidez na implementação de tecnologia nas áreas de negócio das organizações.

Estamos diante de um tsunami transformacional no mundo corporativo, que altera profundamente o ambiente do trabalho e o mundo dos negócios. Surfar essa onda ou ser atropelado por ela depende exclusivamente da liderança executiva. A onda diante de nossos olhos sinaliza que a tecnologia é o grande diferencial. O futuro, ou já o presente, aceitando ou não, transforma cada executivo num dependente tecnológico. Se esquivar, procrastinar ou se jogar na adoção intensiva da tecnologia será decisivo para o sucesso das empresas e de suas lideranças executivas.

*Mauro Segura é diretor de Marketing e Comunicação da IBM Brasil

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