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Blockchain: O livro registro de transações e moedas digitais

Todos os documentos que possuam um valor podem ser transacionados dentro do blockchain, desde a escritura de imóveis até laudos médicos

22 de Novembro de 2016 - 12h33

Por ser relativamente novo, há uma mística em torno do assunto blockchain. Não é para menos. O tema parece realmente complexo, mas acaba se tornando mais claro à medida que vamos nos aprofundando. Recebo contatos constantes de empresas e executivos pedindo mais detalhes sobre o funcionamento e aplicações dessa nova tecnologia. Alguns a entendem como facilitadora de transações de bitcoins (moedas digitais) e outros estão tentando confrontar suas próprias questões corporativas para adentrar nesse misterioso tema.

Por definição, o blockchain é um processo de confiança. Funciona assim: se duas, três ou mais partes concordam em registrar processos (sem estar necessariamente preso ao setor financeiro) para realizar transações de informações sensíveis e extremamente importantes, já é possível usar tecnologias de blockchain para fazer isso. E o melhor, de forma muito segura. Sabe aquele bom e velho livro registro muito comum em cartórios? O modelo utilizado para blockchain é o mesmo, pois permite o registro de ativos de maneira prática e rápida. Com uma sofisticada criptografia para garantir segurança, a tecnologia permite o compartilhamento de uma mesma regulamentação com diversas indústrias e interfaces.

Nesse contexto, todos os documentos que possuam um valor para as partes interessadas podem ser transacionados dentro do blockchain. Como, por exemplo, escrituras de imóveis, a parte processual de um cartório de registros, seguro de automóveis, laudos médicos e transações financeiras, entre outras. Essa tecnologia é facilmente relacionada com bitcoin. O que não está incorreto. Na verdade, o blockchain nasceu a partir da moeda, como um facilitador de suas transações.

Não por acaso, as corporações mais interessadas em blockchain são bancos e instituições financeiras. Um estudo recente da IBM mostra que soluções comerciais para a área de finanças estão sendo rapidamente adotadas por esses dois setores. O levantamento mostrou que 65% dos bancos esperam ter soluções de Blockchain em produção nos próximos três anos.

Entretanto, os segmentos industrial e de logística também estão de olho na tecnologia. Além, claro, de governos. Para as indústrias, as vantagens são inúmeras. Imagine um ecossistema de produção e controle para montagem de carros, por exemplo. Com a possibilidade de monitorar todos os componentes e partes de um veículo. Se houver algum dano, a companhia consegue identificar o problema e repará-lo. No governo, o estabelecimento de uma moeda digital real e também do controle de ativos no país seria um processo muito importante. Além disso, é possível aplicar blockchain para gerenciamento e a criação de uma identidade única para esses registros, o que pode evitar fraudes de dados.

Hoje em dia existem vários grupos de estudos de blockchain e inúmeras startups interessadas em trabalhar com a tecnologia. Eu diria que o Brasil tem um potencial de aplicabilidade grande. Inclusive, há várias entidades atuando ativamente com essa tecnologia em consórcios. Quando me questionam em que pé estamos na adoção de Blockchain eu sempre digo: estamos mais interessados em usar a tecnologia do que há alguns anos. Víamos o Brasil como um seguidor e hoje ele é um influenciador do desenvolvimento de Blockchain. Vamos trabalhar e esperar pelo melhor.

*Jonatas Leandro é executivo da consultoria da IBM Brasil.