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Big data pode se tornar novo gerador de receita para operadoras latino-americanas

Alinhamento de dados dos consumidores com dados da rede é a chave do sucesso, aponta relatório da Frost & Sullivan

22 de Fevereiro de 2017 - 14h30

Apesar do declínio da receita dos serviços tradicionais de telecomunicações no mercado latino-americano, a tecnologia de big data pode ser um facilitador da transformação digital, gerando novas oportunidades de crescimento em toda a região. Atualmente, as empresas de telecomunicações estão adotando cautelosamente big data para melhorar o relacionamento e a experiência dos clientes. A próxima fase será remodelar seus negócios com análise preditiva, aplicações de próxima geração e complexidade de caso de uso avançada, seguidas de estratégias de monetização, como a venda de dados para usuários finais, de acordo com estudo da Frost & Sullivan.

"O big data poderia oferecer grandes oportunidades de negócios e geração de receita. Os dados dos usuários, serviços, redes, localização e fontes de gerenciamento podem ser monetizados através da promoção de produtos, propaganda direcionada, up sales, qualidade de experiência [QoE] e otimização de rede", diz Carina Gonçalves, analista da indústria de transformação digital da Frost & Sullivan.

De acordo com a consultoria, o total de investimentos (Capex) do setor de telecomunicações em big data no mercado latino-americano atingiu US$ 633,3 milhões no ano passado, e a previsão é que atinja cerca de US$ 1,8 bilhão em 2022, liderado por Brasil e México.

O estudo fornece informações sobre o desenvolvimento de big data entre os principais provedores de telecomunicações da América Latina, identificando estrutura, uso e investimentos. A cobertura geográfica inclui Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru.

A Frost & Sullivan observa que devido à falta de conhecimento, há resistência de algumas empresas a adotar big data. Definir com eficácia o valor que a tecnologia extrairá e justificar o retorno do investimento com impacto incremental no lucro são difíceis. A governança e o trabalho para definir o foco das iniciativas de big data estão restringindo a implementação da tecnologia na região, aponta o relatório.

Outras restrições que afetam o mercado segundo o estudo, incluem:

- As operadoras precisam implementar rapidamente novas aplicações para impulsionar a evolução do mercado; contudo, a falta de mão de obra qualificada está tornando o processo mais lento.

- Segurança e privacidade são preocupações constantes, especialmente em torno da ausência de políticas de compartilhamento de dados e promoção da utilização ética e segura dos dados.

- Lidar com grandes e complexas organizações com múltiplos sistemas de fornecedores e integrar todos os dados e fontes é demorado e desafiador.

- Algoritmos fracos foram aplicados a novos casos de uso; portanto, as empresas de telecomunicações estão desenvolvendo suas próprias soluções big data, usando apenas fornecedores de suporte tecnológico.

"As empresas de telecomunicações estão lutando para rentabilizar os serviços over-the-top [OTT], de valor agregado e de nuvem. Além disso, a conectividade e as capacidades tradicionais estão em declínio. O desempenho da rede alinhado com as metas comerciais da empresa de telecomunicações e a combinação de insights entre os serviços serão críticos para o sucesso ", observa Carina.