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Big data é hoje uma das armas mais eficazes no combate ao terrorismo

Antigas táticas de investigação estão cada vez mais dando lugar a ferramentas analíticas para identificar e capturar suspeitos

18 de Novembro de 2016 - 10h57

Desde 1970, o terrorismo tem ficado cada vez mais frequente e já contabiliza mais de 140 mil vítimas ao redor do mundo, em sua maioria, cidadãos comuns. Além dos ataques coordenados ao World Trade Center, nos EUA, outras dezenas de países foram alvo de uma escalada assustadora de atentados, como os que ocorreram na França e na Bélgica, com 270 mortos somente nos últimos dois anos.

Por conta disso, as agências de inteligência dos EUA e das potências europeias estão investindo fortemente em novas formas de combater o terrorismo. Essa é uma tarefa exponencialmente mais árdua, considerando que as novas organizações terroristas, como o Estado Islâmico, estão distribuídas em milhares de células isoladas, agindo de forma independente e dificultando a trilha de investigação para encontrá-las.

Isso significa que as antigas táticas de investigação, centradas em dispositivos de vigilância, grampos, interrogações e informantes para expor as “teias” de relacionamento, perderam rapidamente a eficiência diante do novo modus operandi das organizações terroristas. Em vez, os investigadores estão trocando escutas e armas de fogo por ferramentas analíticas cada vez mais avançadas e escaláveis, apostando no big data para identificar e apreender suspeitos antes mesmo de eles agirem. Somente em 2016, a inteligência norte-americana deverá gastar US$ 1,7 bilhão em projetos e pesquisas de big data.

Com o uso de analytics, os investigadores estão lidando com milhares de petabytes de dados capturados de pessoas e eventos, que são processados, combinados e analisados para detectar padrões, comportamentos suspeitos e até para trabalhar de forma preditiva na identificação de possíveis ataques. Isoladamente, esses dados são meramente dados. Mas, interligados com poderosas ferramentas de mineração e visualização de dados, podem ser capazes de gerar valiosas pistas e insights.

Como encontrar esses dados? A realidade é que todos nós deixamos pistas por onde passamos e do que estamos fazendo. São atualizações em perfis de redes sociais, registros telefônicos, movimentações bancárias e com cartão de crédito, reservas de passagens, conversas via aplicativos de mensagem e praticamente qualquer outra atividade pela internet, a partir de qualquer dispositivo conectado. E os governos estão monitorando tudo isso para ir além das buscas pelo que eles já esperam encontrar – eles querem encontrar até o que não esperam. E uma das principais vantagens da inteligência analítica é justamente essa. Não é necessário saber exatamente o que se procura, pois a tecnologia pode fazer isso por você.

O ex-diretor da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), Mike Rogers, já afirmou diversas vezes que esse trabalho de monitoramento e de analytics é essencial para evitar outros grandes ataques terroristas, e que ferramentas como o Facebook e o Twitter podem ser valiosos aliados nesse combate. Em 2015, o estudo The Isis Twitter Census mostrou que 46 mil contas do Twitter estavam sendo operadas pelo Estado Islâmico. Em fevereiro deste ano, outras 125 mil delas foram suspensas por promover mensagens terroristas.

Nesse sentido, um dos grandes desafios ainda é o de utilizar recursos analíticos para distinguir os “lobos solitários” das organizações terroristas de pessoas que apenas estão falando de extremismo. Muitas agências ainda possuem dificuldade para tirar o máximo proveito dos dados que possuem para esse objetivo, mas já existem iniciativas para compartilhamento efetivo de inteligência entre agências e governos com grandes volumes de dados. Isso deverá auxiliar uma série de investigações, como o projeto Minerva, lançado em 2008 e com a finalidade de levantar perfis de incitadores de revoltas e ataques terroristas nas redes sociais.

Portanto, já estamos vivenciando uma realidade tecnológica que permite o uso do big data e das tecnologias analíticas mais avançadas para combater efetivamente o terrorismo. E não estamos tão longe assim do filme de ficção Minority Report (2002), pois teremos cada vez mais recursos para identificar e capturar terroristas muito antes de ocorrer um ataque. Cada vez mais, o desafio de conscientização de governos e empresas a respeito dos benefícios de Big Data se torna menor e nos coloca um passo à frente do futuro.

* Rodrigo Africani é gerente de Negócios de Data Management do SAS América Latina.