Telecom > Banda Larga

Banda larga compensa desconexões de linhas fixas em 2016, aponta OTI

Apesar desconexão de linhas fixas, as receitas das teles cresceram 4,5% no segundo trimestre do ano passado devido a crescente adoção dos serviços de banda larga fixa

26 de Janeiro de 2017 - 09h39

O Brasil respondeu pela maior receita de telecomunicações na América Latina, que totalizou US$ 9,93 bilhões até o segundo trimestre de 2016, de acordo com relatório mais recente da Organização das Telecomunicações Ibero-Americanas (OTI). O levantamento mostra que, apesar de os serviços móveis terem respondidos pela maior fatia da receita total (46,7%), o país apresenta uma distribuição mais equilibrada na composição da receita dos serviços de telecomunicações.

Isso, segundo o estudo, é reflexo da evolução dos mercados de telecomunicações e devido aos baixos níveis de concentração em praticamente todos os segmentos. As receitas geradas pelas operadoras de telefonia móvel, por exemplo, atingiram US$ 4,64 bilhões no segundo trimestre de 2016, o que representa uma queda 7,2% na comparação trimestral anual e uma proporção de 46,7% em relação ao total gerado pelo setor.

O relatório da OTI aponta como principais razões para esse recuo a queda gradual das tarifas de interligação móveis em conjunto com a desconexão de linhas móveis, devido à instabilidade econômica e política do país, que levou a perdas recorrentes do poder de compra da população nos dois últimos anos.

Já a receita com serviços de telefonia fixa totalizou US$ 3,66 bilhões, o equivalente a 36,8% da receita total do setor, montante que representou um aumento de 4,5% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Neste caso, apesar da crise econômica e da desconexão continuada de linhas fixas, as receitas mantiveram a curva de crescimento devido a crescente adoção dos serviços de banda larga fixa.

O segmento de TV a cabo seguiu a mesma tendência, apresentando um crescimento de 1,2%, com receita de US$ 1,63 bilhão (16,4% do total) no final do segundo trimestre de 2016. Esse aumento contrasta com a queda das assinaturas do serviço. Isto é explicado pela acentuada depreciação do real frente ao dólar. O custo do conteúdo da TV paga aumentou, elevando os preços para o consumidor final. E esse aumento acabou compensando o declínio nas assinaturas.

A OTI observa que a distribuição de renda na região ibero-americana-EUA está diretamente relacionada a fatores característicos dos mercados de cada país, como as condições socioeconômicas da população, as características físicas do território, os incentivos para investimento e desenvolvimento da infraestrutura, entre outros. Da mesma forma, são consideradas as condições de cada segmento — por exemplo, o nível de concorrência —, percentual de cobertura e os preços dos serviços, que determinam a contribuição para as receitas totais do setor de telecomunicações.