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Bancos brasileiros são os que mais valorizam poder da IA, afirma estudo

Brasil é o principal país a reconhecer a importância da inteligência artificial. Cerca de 30% dos entrevistados a consideram estratégica e outros 33% a veem como de importância tática

08 de Novembro de 2017 - 15h33

A esmagadora maioria (94%) das instituições financeiras brasileiras de grande porte enxergam valor em soluções de inteligência artificial (IA). Em nível global, a IA já é vista como um dos tópicos de maior interesse no setor bancário hoje, de acordo com pesquisa encomendada pela GFT, empresa de TI especializada em transformação digital para o setor financeiro.

A pesquisa revela ainda que a abordagem de "bank as a plataform" (BaaP), para criar um modelo aberto de negócios usando APIs, é considerada um elemento-chave que irá moldar o banco digital no futuro.

Realizado com 285 profissionais de pequenos, médios e grandes bancos de varejo — com dois participantes no máximo por instituição financeira —, o estudo revela as informações e o nível de maturidade sobre transformação digital, inteligência artificial e bank as a platform. Os entrevistados ocupam posições de diretoria e gerência em bancos de varejo, tanto em áreas de negócios quanto em TI. A pesquisa foi realizada em oito países — Brasil, Alemanha, Itália, México, Espanha, Suíça, Reino Unido e EUA.

Dentre os principais desafios apontados sobre a implementação de uma estratégia digital estão: a integração de sistemas legados com novas tecnologias (59%), as questões de segurança e privacidade (57%) e a falta de competências internas (51%). O motivador principal para a digitalização, especialmente para grandes bancos de atuação global, é satisfazer ou exceder as expectativas dos clientes.

Inteligência artificial a caminho 

A IA está preparada para transformar o setor bancário ao longo da próxima década. A pesquisa mostrou que 83% dos entrevistados veem a importância da IA. O Brasil, Reino Unido e o México lideram em termos de reconhecimento da importância da IA, enquanto na Alemanha e na Suíça, países tradicionalmente mais cautelosos, apenas alguns percebem a IA como estratégica.

Com a implementação da IA, os especialistas questionados esperam obter avanços em uma ampla gama de funções empresariais, desde o back office até o contact center, passando pelo planejamento financeiro pessoal e as funções de vendas. Como resultado da aplicação dessas tecnologias, espera-se a redução de custos operacionais (71%) e o maior engajamento do cliente (64%). 

"A indústria de banco de varejo, em especial, tem acesso a uma grande quantidade de dados multi-estruturados que, atualmente, não está sendo utilizada na sua totalidade. Ao utilizar algoritmos cognitivos, esses dados podem ser processados e organizados para gerar modelos de apoio à tomada de decisão para atender melhor os clientes e se diferenciar competitivamente", afirma o managing director Latam da GFT, Marco Santos.

Status da transformação digital no Brasil

Atualmente, quase metade (47%) dos bancos no Brasil estão desenvolvendo estratégias de transformação digital, enquanto que 36% consideram já ter concluído esse processo, elevando o total de bancos brasileiros que dispõem de uma estratégia de transformação digital para 83%.

Em comparação com outros países, o Brasil é o principal país a reconhecer a importância da IA. Cerca de 30% dos entrevistados a consideram estratégica e outros 33% a veem como de importância tática. Somente 3% não acreditam em sua importância.

As três principais soluções de IA a serem adotadas no País compreendem: assistente virtual para clientes, com 52% de intenção de adesão, similar ao observado em outros países, com tecnologias de reconhecimento de linguagem natural; RPA (Robot Process Automation), com foco em eficiência do back-office, com 38%; e RA (Robot Advisory) com 31%.

Os três principais benefícios da implementação de IA percebidos são: maior engajamento do cliente (66%), seguido de custos operacionais mais baixos (55%) — benefício número um citado mundialmente e, por fim, redução de riscos (28%).

Embora o Brasil seja o país mais empolgado em relação à IA, a pesquisa mostra que os níveis de preparo dos sistemas de TI estão abaixo da média mundial. Os principais desafios no País são infraestrutura técnica escalável (interna versus nuvem), a disponibilidade de especialistas para preparar e fazer curadoria do sistema cognitivo, a infraestrutura capaz de alimentar os algoritmos e as parcerias com fintechs e fornecedores de IA.

Em relação ao BaaP, cerca de 20% dos bancos brasileiros possuem uma estratégia em andamento, embora somente 13% começaram a implementá-la. Entre os países pesquisados, o Brasil ainda está em um nível intermediário de maturidade em relação a adoção da estratégia Bank as a Platform. Os três principais benefícios do BaaP esperados no Brasil são: redução dos custos operacionais (47%), capacidade de desenvolver novos aplicativos (47%) e maior engajamento dos clientes (43%).

Já os três principais desafios enfrentados pelos bancos brasileiros são similares aos dados mundiais: 63% antecipam dificuldades com a complexidade dos sistemas existentes na organização, 57% em questões de segurança e 43% em falta de experiência e habilidades adequadas.

Entre os entrevistados com conhecimento em BaaP, a modernização de aplicativos é a mudança citada com mais frequência (50%), seguida da migração de dados para a nuvem (38%) e a aquisição de uma nova plataforma bancária centralizada (25%).

Principais motivadores para a transformação digital

Os resultados mostram que o motivador número um para avançar na transformação digital dentro das organizações financeiras é satisfazer as expectativas dos clientes, segundo as respostas de 60% dos participantes. Em seguida, vem o aumento de receitas a partir de novos serviços ou produtos (51%) e a redução de custos operacionais (47%).

Um número considerável de bancos já tem uma estratégia definida de transformação digital sendo implementada ou desenvolvida. Cerca de 34% dos entrevistados afirmam ter uma estratégia de transformação digital definida, já 53% possuem uma estratégia em fase de desenvolvimento. O Reino Unido e a Suíça estão na vanguarda desta área: 100% das instituições de todos os tamanhos afirmam que já definiram ou estão desenvolvendo sua estratégia de transformação digital.

A abordagem bank as a platform como um passo importante na agenda da transformação digital. Ela tem várias implicações na arquitetura de negócios e tecnologias das instituições, como por exemplo o uso de APIs para expor serviços, a necessidade de garantir simetria de informação entre os vários players da plataforma e o desenho de novos produtos a partir de componentes de vários participantes da plataforma.

Cerca de 69% de todos os bancos participantes já consideraram o BaaP como estratégia de negócios e acreditam que ele terá um impacto de grande a moderado em seu modelo de negócios. Os principais benefícios do BaaP são aumento do engajamento do cliente com 62%, seguido da capacidade de desenvolver novas aplicações com 55% e menores custos operacionais (51%). O Reino Unido e a Espanha lideram a adoção do BaaP, enquanto o México, o Brasil e a Itália continuam cautelosos, sendo que muitos bancos ainda não consideram implementar uma estratégia.