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Azure Sphere: tudo sobre a volta da Microsoft ao segmento de chips

Fabricante aposta no Linux para proteger aparelhos de internet das coisas

19 de Abril de 2018 - 09h31

A Microsoft continuou a sua inesperada entrada no segmento de chips nesta semana ao anunciar o chamado Azure Sphere, que combina um design de chip, um serviço de segurança na nuvem e até mesmo um kernel Linux para proteger melhor os bilhões de dispositivos IoT (internet das coisas) ao redor do mundo.

Em 2016, a Microsoft anunciou que tinha ajudado a desenvolver um FPGA, um tipo específico de chip programável que prometia melhorar a inteligência dos servidores na nuvem dos clientes. Apesar de os engenheiros da Microsoft terem certamente influenciado os designs de vários componentes, desde mouses até o Xbox, o FPGA foi a primeira vez que sabemos em que a Microsoft reivindicou a propriedade de um chip. Agora temos uma segunda vez: o Azure Sphere inclui um microcontrolador MCU (fixed-function microcontroller) que a Microsoft está licenciando, sem a necessidade de pagamento de royalties, para quem quiser.

Segundo o presidente da Microsoft, Brad Smith, o chip Azure Sphere será construído e distribuído pela MediaTek em 2018. “Mais hardware virá a seguir”, afirmou. No entanto, o executivo não revelou detalhes sobre o chip, citando apenas que será “cinco vezes” tão poderoso quanto os modelos disponíveis no mercado atualmente. Ele não comentou a arquitetura do chip, mas disse que o seu design terá funcionalidade de rede embutida.

A Microsoft publicou mais detalhes sobre o novo chip em uma página separada, dizendo que ele “combina a versatilidade e o power de um processador Cortex-A (ARM) com um overhead baixo e as garantias em tempo real de um processador Cortex-M (ARM)”. A sua construção no sistema de segurança Pluton cria um hardware raiz de confiança, armazena chaves privadas, e executa operações criptográficas complexas, de acordo com a página em questão. A Mediatek chama o chip de MT3620 e oferece mais informações sobre o chip de 500MHz neste link.

O que isso significa para você

A Microsoft já fornece soluções de segurança para 90% das empresas presentes na lista Fortune 500, de acordo com Smith. E a empresa quer claramente ampliar o seu alcance. A conclusão inevitável, obviamente, é que um gadget conectado terá de ser considerado como mais um buraco vulnerável na sua casa, um que terá ser corrigido e atualizado à medida que seja necessário.

Uma loja de segurança para aparelhos conectados

A ideia, de acordo com Smith, é uma “necessidade de construir a segurança desde o chip até a nuvem”. O Azure Sphere é uma solução de segurança de ponta a ponta para o mercado emergente de cerca de 9 bilhões de produtos IoT vendidos neste ano.

Vale notar que em 2016 o malware Mirai tomou o controle de centenas de milhares de aparelhos de IoT conectado, transformando-os em um botnet que atacou o pesquisador de segurança Brian Krebs. Outros ataques de IoT incluem casos de monitores de bebês sendo hackeados. O Azure Sphere reconheceria e anularia ataques desse tipo antes que eles conseguissem crescer e se espalhar.

A Microsoft já desenvolve softwares e serviços sofisticados para proteger PCs e serviços corporativos, alguns dos quais foram melhorados, segundo a companhia. Mas Smith afirma que a Microsoft recorreu a muitos aspectos diferentes do seu negócio para criar a solução Azure Sphere.

É provável que os consumidores não cheguem a experimentar diretamente o Azure Sphere, no sentido de que não será um produto que os usuários finais terão de configurar.

Linux

O que é surpreendente é que a Microsoft decidiu abandonar os seus próprios esforços em IoT e simplesmente escrever um kernel Linux que irá impulsionar a iniciativa. Um serviço de segurança do Azure Sphere irá fechar a solução.

“A Microsoft é uma empresa multiplataforma, e tem sido assim há anos”, afirmou um representante da companhia em um comunicado, explicando a escolhe pelo Linux em vez do sistema existente Windows 10 IoT.

“Escolhemos o Linux como o sistema por duas razões principais: 1) o tamanho da presença do sistema e 2) necessidades do nosso ecossistema de parceiros de silício. O kernel Linux customizado encontrado no Azure Sphere foi otimizado para um ambiente IoT e compartilhado pela licença OSS para que os parceiros de silício possam habilitar rapidamente novas inovações de silício.”

Smith ainda destacou que esse é o primeiro kernel Linux da Microsoft em seus mais de 40 anos de história. “A melhor solução para um computador deste tamanho não é uma versão completa do Windows.”

Com tudo isso, destaca Smith, o Azure Sphere representa uma solução que “realmente nenhuma companhia fez antes”.