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Automação fiscal: um aliado de peso para o varejo

Um exemplo clássico disso é o advento da nota fiscal eletrônica, que permite às autoridades tributárias acesso em tempo real a todas as transações de um contribuinte

05 de Setembro de 2017 - 13h10

Operar em um país de dimensões continentais como Brasil, já representaria um enorme esforço para qualquer empresa. Quando analisamos o segmento varejista, além do desafio logístico natural ao setor, surge ainda a complexidade de processos administrativos e tributários que só com a adoção da automatização foi possível conquistar dinamismo, diminuição de erros e riscos e, acima de tudo, redução de custos das operações.

Dentro desse cenário, os processos administrativos vêm recebendo atenção há anos com a automação comercial por parte dos varejistas, que durante décadas investiu fortemente em tecnologia, infraestrutura e serviços, o que lhes garantiu um maior controle de suas operações como gestão de estoque, controle de finanças, fluxo de caixa, dentre outros.

Mas além deste, outro processo que anda lado a lado à automação comercial é a automação fiscal. Mesmo agindo de maneiras independentes uma da outra, ambas se fazem extremamente necessárias para conquistar maior lucratividade e competitividade em um país como Brasil, tendo em vista que temos uma das maiores cargas tributárias no mundo e recentemente ainda sofremos com o aumento das alíquotas de PIS/Cofins para o combustível, o que deixou o varejo ainda mais em estado de atenção.  

De acordo com o Banco Mundial, empresas brasileiras gastam em média 2.038 horas ao ano com impostos. Por isso, ao olharmos para o varejo precisamos ter em mente a quantidade de tributos e regras tributárias que um único estabelecimento deve arcar para estar em dia com suas obrigações fiscais. Para se ter uma ideia dessa complexidade e variações de tributárias, existe toda uma diversidade de jurisdição e regulações, as quais tem suas variações em âmbito estadual, municipal e federal. Em um cenário de alta complexidade como este, o caminho para a eficiência passa obrigatoriamente por uma gestão integrada e unificada de processos que vão desde o mais simples cadastro de parceiros de negócio até a emissão de documentos fiscais (NFe, CT-e, MDF-e, NFC-e) e seus impactos no cálculo e determinação de impostos, créditos tributários e na entrega de obrigações acessórias e relacionamento com as autoridades tributárias.

Um exemplo clássico deste processo de automação fiscal é o advento dos documentos fiscais eletrônicos, como a NFe e CT-e, os quais permitem às autoridades tributárias acesso em tempo real a todas as transações de um contribuinte, além de todos os participantes na transação. Na mais recente evolução deste processo, o manifesto eletrônico do destinatário, deu às empresas a possibilidade de agirem com antecedência a eventos não planejados, divergentes e fraudes, eliminando ineficiências e riscos tão logo um evento seja registrado no sistema público. Este nível de automação é incomparável a qualquer outro processo uma década atrás.

Com o avanço da tecnologia já é possível fazer o monitoramento e atualização de sistemas em tempo real, com soluções em nuvem e capazes de atender aos mais diferentes requisitos exigidos pelo governo, tais como cálculo transacional de impostos, geração de documentos eletrônicos, monitoramento de alterações tributárias (alíquotas, reduções de base de cálculo, MVAs, dentre outros), auditoria, monitoramento e conformidade de obrigações fiscais acessórias, verificação na comunicação eletrônica às autoridades fiscais brasileiras (Sped), dentre outros, com conteúdo e regras sempre atualizados e com alta disponibilidade. Tudo operando de forma integrada para melhorar a governança, minimizando o risco fiscal, automatizando operações fiscais, o que além de garantir o cumprimento correto das obrigatoriedades brasileiras, permite às empresas o melhor aproveitamento de recursos em análise e otimização de resultados. Estes são passos essenciais para que as empresas se preparem para a nova onda de tecnologias preditivas e de análise disponíveis e que permitiram ações ainda mais rápidas e efetivas para sua operação.

*Leonardo Nogueira é diretor de produtos da Avalara Brasil.