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Automação ameaça 800 milhões de empregos em 2030, segundo McKinsey

Estudo analisa de perto uma variedade de carreiras e ressalta o papel dos governos na formação de profissionais melhor preparados para o futuro do trabalho

04 de Dezembro de 2017 - 14h39

A ideia de que robôs assumirão uma boa parcela de nossas habilidades e talentos no mercado de trabalho não é nada nova. Mas à medida que a inteligência artificial evolui e suporta humanoides que até mesmo recebem cidadania - a robô Sophia da Hanson Robotics recebeu o título do governo da Arábia Saudita - nossos medos ecoam mais próximos.

Um novo relatório compilado pelo McKinsey Global Institute prevê que até o ano de 2030, cerca de 800 milhões de empregos globais poderão ser substituídos pela automação. O impacto das tecnologias emergentes no dia a dia do trabalho seria comparado a mudança das sociedades agrícolas durante a Revolução Industrial. 

Neste universo onde carros autônomos deixam os laboratórios de companhias para ganhar às ruas, robôs pessoais celebram funerais no Japão e até mesmo assumem orquestras, pessoas de carne e osso precisarão reciclar suas carreiras. O estudo analisa mais de perto uma amostra de carreiras em seis nações, no caso a China, Alemanha, Índia, Japão, México e Estados Unidos. Já as carreiras incluem profissionais criativos, profissionais de TI e da saúde, professores, executivos, vendedores, engenheiros e postos de trabalho na área da construção e atendimento ao consumidor. 

Em resumo, as mudanças  proporcionadas pela tecnologia não virão para todos de forma igual. Apenas 5% das ocupações atuais devem ser completamente automatizadas se a tecnologia de ponta de hoje for amplamente adotada, enquanto que em 60% dos postos de trabalho, um terço das atividades será automatizada. 

Mas da mesma forma como aconteceu no passado, a tecnologia não se mostrará inteiramente destrutiva. Novos empregos serão criados e os cargos existentes serão redefinidos. Os pesquisadores da McKinsey lembram que a automação não é um fenômeno novo e citam a conclusão de um estudo publicado nos anos 1960 que diz que a "tecnologia destrói empregos, mas não o trabalho." Como exemplo, eles lembram o efeito do computador pessoal nos Estados Unidos nos anos 1980, que levou a criação de 18,5 milhões de novos empregos.  

Os efeitos da automação também serão diferentes de país para país, ressalta o relatório. Economias mais desenvolvidas, como os Estados Unidos e a Alemanha, provavelmente serão mais atingidas pelas mudanças futuras, tendo em vista que salários médios mais altos incentivam a automação. 

E por falar em remuneração, outra consequência proporcionada pela ascensão da inteligência artificial diz respeito ao crescimento da desigualdade social. A desigualdade entre os salários deve crescer, possivelmente levando a instabilidades políticas. 

Nesse sentido, o estudo chama atenção ao protagonismo dos governos: "a história mostra numerosos exemplos de países que passaram com sucesso a onda de mudanças tecnológicas, investindo em seus trabalhadores e adaptando políticas, instituições, e modelos de negócios para a nova era. Esperamos que este relatório leve os líderes a essa direção mais uma vez."