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Aumento de PIS e da Cofins vai prejudicar setor de contact center, diz dirigente

Possibilidade de aprovação da MP que unifica e amplia alíquotas poderá agravar significativamente o setor telemarketing e marketing direto, alerta Stan Braz, diretor do Sintelmark

20 de Outubro de 2017 - 13h24

O setor de serviços de telemarketing e marketing direto deve ser seriamente prejudicado com o aumento da carga tributária caso a medida provisória do governo federal de reajuste das alíquotas do PIS e da Cofins para compensar as perdas decorrentes da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que excluiu o ICMS da base de cálculo do PIS e Cofins, seja aprovada no Congresso Nacional.

A MP, criticada por tributaristas e, principalmente, pelo setor de serviços, deverá acarretar sérios prejuízos às empresas de contact center, de acordo com o diretor executivo do Sindicato Paulista das Empresas de Telemarketing, Marketing Direto e Conexos (Sintelmark), Stan Braz.

Para parte dos atores da economia, o ajuste apenas compensaria a redução na base de cálculo, mas, devido às peculiaridades do segmento, que tem mais de 75% de seus custos compostos por pagamento de salários e encargos trabalhistas, o aumento de imposto terá um impacto real de até 5% sobre o faturamento, segundo o executivo.

"O problema é que, ao unificar e aumentar a alíquota, que atualmente é de 3,65% da receita bruta, para o regime não cumulativo, de 9,25%, o segmento não terá como realizar abatimentos, pois despesas com mão-de-obra não geram este tipo de crédito", esclarece Braz.

O dirigente alerta que é necessária uma análise criteriosa sobre o tema antes de qualquer definição que possa gerar um risco premente à manutenção da atividade. "O acréscimo oriundo de uma ação como esta supera, significativamente, a margem de lucro do segmento e, juntamente com a aplicação de outros impostos estaduais e uma política deficitária de incentivos, traz uma insegurança assustadora para a sua continuidade", destacou.

O setor está presente em praticamente todos as atividades econômicas do país e é reconhecido pela pujante contratação de pessoas no mercado brasileiro, com intenso investimento em tecnologia e processos. Estima-se que o impacto da medida seria a concreta e imediata supressão de postos de trabalho, uma defasagem de aportes e até mesmo o fechamento de muitas empresas, pela impossibilidade de absorção destes custos.