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Assistentes inteligentes e comando por voz começam tomar espaço do Google

À medida que essas tecnologias se tornarem mais comum no cotidiano do consumidor, o mecanismo de busca do navegador tende a ficar menos relevante

29 de Março de 2017 - 19h07

Os assistentes inteligentes e o sistema de busca por comando de voz começam a ganhar espaço no mercado corporativo e junto aos usuários finais. Mas como para cada vencedor normalmente há um perdedor, vimos que esse espaço do comando por voz afetará a busca online, prejudicando a receita do Google.

A eficácia do motor de busca do Google ainda vence de longe a concorrência, tanto assim que a frase "Google it" é cada vez mais comum e até tornou-se verbo. Mas será que esse destaque no mundo da busca pode ser transferido para o segmento crescente de automação residencial, por exemplo? Acredito que essa migração possa ser complicada.

A batalha pela oferta de soluções para de comando de voz está se aquecendo com a Amazon ganhando visibilidade nessa área e tomando uma posição forte com as ofertas Amazon Echo e Alexa.

O Google está tentando o seu melhor com seu próprio assistente inteligente, mas ele terá que se contentar com o segundo lugar, por enquanto.  A meu ver, isso não é um acidente. A Amazon tem uma marca mais forte em sistemas de comando de voz e está capitalizando isso atualmente.

Inicialmente, perder nesse segmento não é o fim do mundo. O Google ainda tem um negócio de extremo sucesso de publicidade associada à pesquisa online que traz forte receita e isso dificilmente vai mudar num futuro próximo.

Mas, à medida que a interface de voz se tornar mais comum no cotidiano do consumidor, o mecanismo de busca do navegador tende a ficar menos relevante. Por que abrir um navegador na web quando você pode simplesmente pedir à Alexa para fazer o trabalho manual por você?

Eu nunca pediria para Alexa ir no Google e encontrar para mim o restaurante italiano mais perto. Estou certo que a Alexa usará suas próprias configurações de pesquisa padrão e, de forma inteligente, dominará as receitas conquistadas com muitos anos de pesquisa.

A Amazon aperfeiçoou sua oferta nos últimos meses, e agora essa é uma proposta familiar que é simples de usar. Quanto mais difundido o uso da Alexa se torna, mais as receitas de publicidade do Google são reduzidas.  

E isso não para com a Amazon. E que tal o assistente pessoal da Microsoft, o Cortana? Ou a Siri, da Apple? A Siri é a ferramenta mais subexplorada que Apple tem à sua disposição. A interface de voz será uma das tendências mais relevantes dos próximos dois anos e a Apple tem uma base de clientes muito fiel que a coloca em uma posição forte nessa disputa.

As tecnologias de IoT, de comando de voz, assistentes inteligentes, automação residencial e automação de automóveis estão se integrando e convergindo entre si. Quem não fizer parte deste cenário ainda em formação, deve ficar preocupado sim — mesmo que hoje seja uma marca forte e seja sinônimo de busca online. Ser forte hoje, não significa muito para o amanhã.

*Antônio Júnior é vice-presidente de vendas e marketing da Openet para América Latina.