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A armadilha dos dados disponíveis

A maioria dos CIOs está tentando ou sendo pressionada a gerar valor com a enorme quantidade de “dados não estruturados”. Porém, será que este é o melhor caminho para começar?

21 de Agosto de 2017 - 16h48

Diariamente uma avalanche de dados é criada e processada. Com a massificação dos aparelhos conectados, redes proprietárias e também com a internet aberta, o crescimento dessa grande massa disponível está crescendo de forma exponencial. Algumas projeções indicam que por volta de 2020 teremos cerca de 30 bilhões de aparelhos conectados, número este que pode chegar a mais de 100 bilhões por volta de 2050.

Na verdade, não é tão difícil imaginar a quantidade de dados gerados dia após dia, pois além dos coletados a partir de dispositivos conectados ainda temos os empresariais — transações comerciais, operacionais, etc. —, VoIP e as mídias sociais. Mas existe um questionamento por trás disso: “O que estamos fazendo com estes dados gerados e armazenados?” Estimativas afirmam que quase 90% deles não chegam a ser utilizados.

Veja bem, no dia a dia interajo com pessoas de tecnologia da informação de diversas empresas e um fato interessante que notei é que na maioria absoluta destas interações os responsáveis por essas áreas conhecem profundamente essa característica da economia atual, ou seja, a geração de dados em massa, e sabem que precisam fazer alguma coisa a respeito a fim de gerar valor para suas empresas. Em outras palavras, existe muita disposição sobre o que fazer e muita pressão para “realizar de fato alguma coisa”.

Contudo, o grande problema que tenho notado é que a maioria percebe que está fazendo pouco atualmente, mas esses mesmos decisores não sabem necessariamente como começar a utilizar as novas tecnologias para aprimorar seus negócios. Se tomarmos como exemplo o setor industrial brasileiro, sabemos que a grande maioria dos equipamentos já está sensorizado em maior ou menor grau. Estes detectores geram dados continuamente e são, em sua maioria, armazenados em repositórios específicos. São o que chamamos de “dados estruturados”. Além deles existem os “não estruturados”, que são anotações em sistemas da atuação do pessoal de manutenção, manuais de operação, e-mails com conteúdos técnicos, etc.

Com o advento da computação cognitiva, que permite a utilização desta quantidade enorme de “dados não estruturados”, tenho notado que a maioria dos CIOs está tentando ou sendo pressionada a gerar valor com este tipo de dado usando soluções inovadoras por meio dessa nova tecnologia. Porém, será que este é mesmo o melhor caminho para começar?

Eu particularmente defendo que cada empresa deve estruturar um plano para extrair valor, de forma gradual, desta massa de dados, começando preferencialmente por aqueles que podem gerar mais valor com um menor custo, o que costumamos denominar de “low hanging fruits”. Para esse tipo existem tecnologias de uso dos dados estruturados por meio de análises estatísticas tradicionais (analytics e advanced analytics) que podem extrair imenso valor dos que hoje são apenas armazenados ou mesmo apagados.

Isso pode ser traduzido pela redução de paradas não programadas de equipamentos, perdas por falta de qualidade de produtos, otimização de desempenho de processos, etc. Entretanto, pensando em um gestor que necessita ou quer estar à frente da concorrência, isso se traduz em estar apto para a adoção da computação cognitiva, o que fazer? Bem, paralelamente às ações corretas de transformação digital, as empresas devem preparar um plano para iniciar o uso dessa tecnologia que eventualmente vai multiplicar o benefício advindo do uso da análise estatística tradicional. Vamos começar?

*Sergio Luís Costa Reis é executivo para soluções de indústria da IBM Brasil.