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ARM adquire Mistbase e NextG-Com para estender alcance de redes IoT

Com expertise em redes de longa distância de baixa potência no padrão NarrowBand-IoT, empresa pretende estender suas soluções de chip para casas inteligentes e smart cities

22 de Fevereiro de 2017 - 19h57

A projetista britânica de microprocessadores ARM tem uma nova estratégia para Internet das Coisas: oferecer soluções completas "de aplicativo de software para antena".

A ARM tem deixado para licenciados de seus projetos de microprocessador adicionar seus próprios rádios modems de longa distância e outros circuitos essenciais para os chips de smartphones e outros dispositivos conectados. É o caso da Qualcomm, por exemplo, que empacota o núcleo do processador da ARM com seus próprios modems LTE para entregar os chips no núcleo dos iPhones da Apple.

Mas agora ela quer entregar todo o conjunto, pelo menos para dispositivos de baixa potência, baixa largura de banda, disse Paul Williamson, gerente geral da divisão de dispositivos sem fio da ARM, em um post no blog da empresa.

Para tal, a empresa está investindo em seus próprios projetos de rádio e adquiriu duas empresas com expertise no padrão sem fio de baixo consumo de energia NarrowBand-IoT (NB-IoT): a sueca Mistbase e a britânica NextG-Com. A Mistbase projeta chips, enquanto a NextG-Com desenvolve software de rede.

Os processadores construídos com base nos projetos da ARM exigem pouco consumo de energia, pelo menos na comparação com os chips encontrados em desktops e laptops. Isso é o que tornava a oferta da empresa atraente para fabricantes de smartphones. Mas os celulares atuais, especialmente os que operam em redes 4G, ainda consomem muita energia na comparação com muitos dos dispositivos de Internet das Coisas. Um smartphone com uma bateria de 10 watt-hora dura de um dia a dois antes de precisar de recarga. Considerando que o padrão NB-IoT foi desenvolvido para dispositivos que devem operar até dez anos com uma única bateria de 5 Wh, isso significa que eles só serão capazes de transmitir até 20 kilobits por segundo (Kbps) ou talvez de 250 kbps, na comparação com a transmissão em megabits por segundo (Mbps) de um smartphone típico.

É justamente no mercado desses dispositivos que a ARM vê a possibilidade de obter uma grande vantagem, amarrando o design do processador com o rádio modem de longa distância, algo que já faz para dispositivos sem fio Bluetooth. “Além da expertise em hardware e software das empresas adquiridas, estamos também investindo em projeto de rádio para oferecermos soluções completas de chip NB-IoT para aplicativo de software de antena. Isso vai reduzir a complexidade de adoção da tecnologia de celular em IoT", escreveu Williamson.

O suporte ao padrão NB-IoT já é uma decisão relativamente de consenso entre as operadoras de redes. Finalizada no ano passado, o padrão requer apenas uma pequena atualização para as redes LTE (4G) de alta velocidade que as operadoras já investiram bilhões e abre todo um novo mercado para elas. Analistas do IHS-Markit preveem que o número de conexões NB-IoT crescerá cerca de 1 milhão neste ano para 141 milhões em 2021, disse Williamson.

Os esforços da ARM em relação ao padrão NB-IoT se encaixa perfeitamente na oferta Cordio de projetos sem fio, juntamente com seu suporte para Bluetooth 5 e o padrão de rede sem fio IEEE 802.15.4. Isso, escreveu Williamson, permitirá a ARM estender seu alcance para projetos de casa inteligente e smart cities.