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Após reestruturação, Unisys projeta meta ambiciosa no Brasil

Empresa começa a colher frutos de estratégia de atuação por verticais. América Latina tem sido destaque

13 de Março de 2018 - 13h37

Mais do que fornecedor de tecnologia, um parceiro de negócios. É dessa forma que a Unisys quer ser reconhecida no mercado e, sobretudo, perante a seus clientes. O foco faz parte de um processo de reinvenção da multinacional norte-americana iniciado há cerca de três anos e que começa a dar os primeiros frutos para a empresa.

"Muitos clientes nos veem como tecnologias. Precisamos que nos vejam como uma empresa focada em resolver negócios, verticalmente alinhada e que tem software para que tecnologias façam mais", comenta Eric Hutto, vice-presidente sênior da Unisys e líder global de Enterprise Solutions, em entrevista à Computerworld Brasil.

Hutto explica que o principal objetivo recente foi simplificar a companhia, desde sua organização interna à concepção de produtos. "Há três anos a empresa tinha 118 produtos. Reduzimos para basicamente 9 softwares que resolvem problemas de diversas indústrias."

O foco se resume em ajudar clientes com integração dos dados em tempo real, análises avançadas, tecnologias de nuvem e internet das coisas (IoT), por exemplo. E, para isso, outra estratégia foi a criação de uma prática de consultoria. "Nosso time conversa com o cliente, entende o problema e então olha para tecnologias e decide se será nossa, de algum parceiro ou algo que ainda não temos mas vamos agregar para resolver o problema. O comportamento que precisamos dos nossos executivos é ouvir clientes e não vender, mas resolver problemas."

Essa mudança de foco faz parte da visita de Hutto às operações da Unisys em todo o mundo, entre elas o Brasil. "Quero olhar nos olhos dos clientes, conversar com eles e sentir tudo que está acontecendo", diz.

Em seu último balanço, a Unisys alcançou todas as previsões anuais e encerrou o ano fiscal de 2017 com cem novos clientes ao redor do mundo. As receitas alcançaram US$ 747 milhões no quarto trimestre, com crescimento de 3,5% em relação ao mesmo período no ano anterior. Neste cenário, a América Latina representa 10% do faturamento mundial e o Brasil é a segunda maior operação da companhia, fora dos Estados Unidos.

"As estratégias têm dado resultado. Registramos crescimento no quatro trimestre pela primeira vez nos útlimos 14 anos", afirma.

Verticais

As ofertas da Unisys incluem soluções de segurança, data analytics, serviços de nuvem e infraestrutura, serviços de aplicações, software e aplicações para servidores.

A reestruturação global resultou na criação das verticais Governo, Serviços Financeiros e Commercial e, para 2018, a companhia vai abranger sua abordagem em inovação e segurança em todos os mercados. Na América Latina, por exemplo, as soluções para o setor público serão baseadas em inciativas de governo digital, a fim de melhorar a oferta de serviços aos cidadãos por meio da tecnologia.

Na área de serviços financeiros, o foco será nos bancos de varejo, trabalhando com soluções de segurança, modernização bancária, análise de dados e ofertas omnichannel.

Já no setor Commercial (que abrange varejo, transporte e logística, ciências da vida e saúde), as novas ofertas trazem soluções de análise de dados para melhorar a experiência do cliente e o gerenciamento das operações, serviços em nuvem e modernização de infraestrutura, além de cibersegurança.

Região em alta

Segundo Hutto, a América Latina foi a única região com crescimento nos cinco últimos trimestres. Isso em meio a um processo de impeachment e a recessão no Brasil, principal operação na região. A aposta, agora, é na definição do novo Presidente da República neste ano para que a Unisys possa atingir outro objetivo no país: governos.

O executivo admite que o momento é de esperar a definição nas urnas para de fato avançar com as estratégias. "Sabemos o que falar, estamos preparados para trazer tecnologias como as que temos instaladas nos EUA, Reino Unido e Austrália", diz.

Nos três países citados, a Unisys tem cases relevantes. Nos EUA e Austrália, a companhia fornece soluções para controle de fronteiras, enquanto no Reino Unido o case de sucesso é com a Polícia para comando e controle de patrulhas. "Não é apenas o software, mas todo o analytics por trás para fazer análises. Temos habilidade de outros cases, sabemos como a tecnologia pode transformar o setor público e vamos fazer isso", garante.

A aposta na retomada do mercado motiva uma meta ambiciosa da empresa: dobrar o faturamento no país em até três anos. Com isso, ultrapassaria a participação da região Ásia Pacífico, ficando atrás apenas dos EUA e Europa.

"Pelo nível de engajamento de cliente, resultados e reação do mercado, é possível", diz Eduardo Almeida, general manager da empresa no Brasil, responsável por liderar o objetivo. Com apenas cinco meses na Unisys, Almeida tem um grande desafio em suas mãos, mas sua motivação parece ser ainda maior.