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Após entrada na bolsa, Rimini Street traça planos para expandir atuação e portfólio de serviços

Primeiro passo da estratégia da empresa foi o anúncio, recentemente, da disponibilidade de suporte para seis novas plataformas de banco de dados. Mas, em breve, ela deve anunciar a ampliação do portfólio

03 de Novembro de 2017 - 16h46

Menos de um mês após concluir a fusão com a GP Investments Acquisition Corp. (GPIAC), a Rimini Street, fornecedora de serviços de manutenção de softwares corporativos, que incluiu produtos licenciados pela Oracle e SAP, se prepara agora para consolidar seu plano de expansão da área de atuação geográfica e de seu portfólio de serviços.

O primeiro passo desta estratégia foi o anúncio, recentemente, da disponibilidade de suporte para seis novas plataformas de banco de dados, que incluem IBM DB2, Microsoft SQL Server e ASE, SAP IQ, SAP SQL Anywhere e SAP Advantage Server — estes três últimos são produtos de bases de dados da antiga família Sybase, adquirida pela SAP em 2010. Mas, assim que tiver novos planos consolidados, a empresa deve anunciar a ampliação do portfólio, conforme antecipa o presidente global da Rimini Street, Sebastian Grady.

A expansão dos negócios ocorre em um momento bastante positivo para a empresa, impulsionado pela fusão com a GP Investments, que permitiu à Rimini Street negociar ações na bolsa de tecnologia Nasdaq sob a sigla RMNI. Isso foi possível porque o processo de fusão foi feito com base no modelo de aquisição de propósito especial — ou SPAC, na terminologia em inglês —, o que acabou equivalendo a uma oferta pública inicial de ações (IPO) para a Rimini, até então uma empresa da capital fechado. 

Em entrevista exclusiva a este noticiário, Grady avalia que o fato de a empresa ter se tornado de capital aberto com a fusão à GP Investments possibilitará, além da expansão da capacidade geográfica, ampliar os serviços e atender às demandas de mais clientes. “Nossos clientes também compartilham desse sentimento. Eles sentem que o anúncio fortalece ainda mais a companhia. Trata-se de um momento muito especial para nós, pois a Rimini tem trabalhado arduamente, desde a sua fundação em 2005, para chegar a este estágio e nos tornarmos uma empresa de capital aberto”, frisou.

O executivo, que esteve em visita ao Brasil, enfatizou que a Rimini continuará investindo globalmente, inclusive no país. “Estamos bastante satisfeitos com o trabalho que temos feito no Brasil. Tive ótimos encontros com clientes e possíveis clientes [prospects] e temos fechado parcerias fortes no país. O Brasil é um dos meus lugares favoritos para fazer negócios porque a cultura é maravilhosa. Sinto que por aqui temos mais do que apenas uma relação de negócios com as empresas”, disse.

Tendo como principal apelo de seu negócio a promessa de que as empresas usuárias de sistemas Oracle, SAP, IBM e Microsoft podem economizar entre 50% e 90% dos custos totais com serviço de suporte, Grady diz que a razão disso é que a Rimini não força as empresas a fazerem atualizações. “Ao contrário da Oracle e SAP, que forçam as empresas a fazerem atualizações, muitas delas inclusive que normalmente não são necessárias, não realizamos upgrades desnecessários.” “Uma das principais coisas que fazemos de diferente é que suportamos todos os códigos customizados. ERPs Oracle e SAP são sistemas extremamente customizados e essas empresas só fornecem suporte para o software básico, não prestam serviço para as customizações. Sessenta e cinco por cento de todos os problemas que resolvemos estão relacionados aos códigos customizados, interface, integrações, coisas que a SAP e a Oracle não cobrem. Essa é vantagem que oferecemos”, acrescenta.

Com base em sua experiência e contatos com CIOs, Grady diz que esses executivos têm procurado gerenciar os custos, às vezes com redução, mas também usar o seu orçamento de forma mais eficiente e produtiva. Segundo ele, os CIOs também têm dado atenção ao que ele chama de application rationalization. “Uma grande corporação pode ter mil diferentes aplicações e 5 mil interfaces diferentes. Em cinco anos, ela pode reduzir para 200 aplicações, talvez 40, que nem conhece hoje. Então, essas 40 podem ser novas aplicações de cloud. Isso torna toda a operação ser mais gerenciável. Esses projetos não levam apenas um ano, mas cinco, seis ou sete anos para serem concluídos. Essa é a estratégia que os executivos têm procurado porque eles querem tornar sua infraestrutura de tecnologia de informação mais gerenciável”, explica ele.

Em relação ao Brasil, o CEO da Rimini Street diz que o país está vivendo um momento desafiador, de crise econômica. Em função disso, diz ele, a maioria das empresas passou muito tempo economizando, gerenciando o orçamento, para se tornar ainda mais eficiente e todas têm feito isso desde que começou a recessão há três anos. “Vejo que essas companhias já têm essa mentalidade de enxergar o dinheiro de forma mais cuidadosa e a Rimini pode ajudá-las para que façam o investimento certo, pois fazemos muito mais do que a SAP e a Oracle, pela metade do preço”, finaliza.