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Analytics ajuda a barrar fraudes no programa de seguro-desemprego

Aplicação em uso no Ministério do Trabalho já teria contribuído para economia indireta de cerca de R$ 500 milhões em cinco meses

27 de Agosto de 2017 - 13h24

Uma aplicação de analytics antifraude rodando no Ministério do Trabalho (MTb) ajudou a evitar o sangramento de R$ 500 milhões dos cofres públicos em cinco meses, evitando que benefícios indevidos fossem pagos para pedidos fraulentos de seguro-desemprego.

A aplicação foi desenvolvida usando a plataforma analítica da MicroStrategy, pela B2T, empresa parceira da companhia norte-americana no Brasil, especializada em soluções avançadas de Analytics, Big Data, Gestão de Identidade e Análise Forense. 

Segundo informação liberada pela MicroStrategy, antes da aplicação antifraude e do analytics, a Polícia Federal investigava os casos de irregularidades mas era praticamente impossível recuperar os recursos pagos indevidamente. A estimativa é que a soma das fraudes de 2015 e 2016 tenham representado um prejuízo de quase R$ 2 bilhões aos cofres públicos.

O novo projeto permite prever a fraude e bloquear o pagamento até a comprovação ou não do benefício. De acordo com o MTb, em 2017, o combate à fraude já proporcionou uma economia de aproximadamente R$ 500 milhões com cinco meses de atividade, devendo chegar a R$ 1,3 bilhão, com um ano de projeto. No período, mais de 25 mil requerimentos foram bloqueados, evitando a liberação de cerca de R$ 139 milhões para pessoas que legalmente não eram merecedoras do benefício.

Leonardo Soares, Chefe de Gabinete do Secretário de Políticas Públicas de Emprego, diz que "a tecnologia é a única e mais eficaz forma de se combater a fraude".

O sistema faz o cruzamento de um grande volume de informações, descentralizadas e armazenadas em diferentes bases de dados, e utliza análises estatísticas avançadas com bases atuais e históricas. Para localizar os pedidos indevidos no programa de seguro-desemprego, foram cruzadas informações de diferentes órgãos - entre INSS, Receita Federal, Caixa Econômica Federal e do próprio MTb.

Sempre que uma fraude é constatada e confirmada, a aplicação é capaz de entender esse comportamento e compará-lo com outras situações similares que já ocorreram no passado ou que possam vir a ocorrer. E assim, desvendar padrões comuns e permitir atuar de maneira preventiva. Com isso, o MTb revelou, por exemplo, casos em que uma mesma pessoa (mesmo CPF) deu entrada em sete benefícios diferentes, incluindo por empresas que ainda estavam em processo de abertura; e até de uma microempresa, que normalmente possui no máximo 10 funcionários, que demitiu, simultaneamente, cerca de 280 trabalhadores.

O projeto facilita a vida de quem pede o benefício, já que, segundo o MTb, deverá reduzir o tempo de resposta a pedidos de seguro-desemprego ao trabalhador, que atualmente levam dois meses. O novo sistema eliminaria, por exemplo, necessidade de o trabalhador ir até uma agência e reunir todos os documentos – como carteira de trabalho, identidade e rescisão de contrato - , automatizando a conversa entre o antigo empregador e o Ministério, que enviará uma mensagem ao beneficiário com informações de quando e quanto ele irá receber. "Estas mudanças representam não só um avanço no sistema de detecção de fraudes, como em todo processo de solicitação do seguro-desemprego, que será muito mais ágil e prático ao cidadão", diz Soares.

Futuramente, o projeto será estendido para a fiscalização de outros benefícios do MTb, como por exemplo, o seguro-defeso pago para pescadores artesanais profissionais nos períodos em que são proibidos de pescar. A ideia é que a aplicação antifraude seja transformada cada vez mais em uma base de troca de informações e utilizada como ferramenta de otimização para maximizar ainda mais o ROI (retorno sobre o investimento) deste projeto.