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AMD leva guerra contra Intel para o data center com novos chips Epyc

Fabricante tenta recuperar tempo e espaço perdidos com processadores que contam com até 32 núcleos e 64 threads

20 de Junho de 2017 - 21h12

Após chamar a atenção do mercado nos últimos meses com os novos processadores Ryzen para PCs, voltados para gamers e outros que precisam de um processador de alto desempenho, a AMD agora volta seu foco para servidores e data centers com o lançamento mundial do seu novo chip Epyc, antes conhecido pelo codinome Naples.

Apresentada oficialmente nesta terça-feira, 20, durante evento em Austin, no Texas, a família de processadores Epyc 7000 marca uma nova fase da AMD, que enfrentou dificuldades na última década e resolveu se reinventar há cerca de quatro anos, quando iniciou o desenvolvimento da arquitetura Zen, utilizada tanto no Ryzen quanto no Epyc.

Definido pela CEO Lisa Su como “o próximo estágio do data center”, o Epyc também é a principal aposta da AMD — e de parte do mercado — para alcançar um patamar mais elevado e deixar de ser apenas uma opção mais barata em relação a arquirrival Intel, que detém cerca de 99% do mercado de chips para servidores e data centers. Os processadores de seis núcleos estão se tornando cada vez mais importantes à medida que mais e mais dados migram para a nuvem.

Para isso, a AMD aposta principalmente em um equilíbrio entre uma performance poderosa e alta escalabilidade, sendo que todos os produtos da família, com um ou dois soquetes, contam com 8 canais de memória DDR4 por CPU, até 2TB de memória por CPU, chipset integrado e 128 pistas PCIe. Com preços entre US$ 400 e US$ 4 mil, o Epyc está disponível em versões que trazem desde 8 núcleos e 16 threads até 32 núcleos e 64 threads.

Não por acaso, foram constantes as comparações com a Intel durante as apresentações no evento. Segundo benchmarks apresentados pela AMD, os seus processadores Epyc superam os produtos da Intel em todas as faixas de preço. O top de linha Epyc 7601, por exemplo, que custa US$ 4 mil e conta com 32 núcleos, apresentou desempenho bem superior (75% e 47% a mais, dependendo do tipo de performance) ao rival Intel E5-2699A v4, de acordo com a fabricante.

Além do desempenho, a AMD destacou a segurança reforçada do Epyc, que conta com proteção baseada em hardware e criptografia total da memória, tudo isso sem que sejam necessárias realizar alterações nas aplicações. Outro ponto realçado pela fabricante foi o foco em garantir o uso eficiente de energia pelos chips, mesmo com o alto desempenho - a quantidade de energia gerada varia entre 120W e 180W, dependendo do modelo.

Durante o evento, também foi destacada a criação de um ecossistema para a nova família de chips com a divulgação de parcerias com empresas importantes do setor, como HPE, Microsoft, Baidu e Dell, entre outras, cujos representantes marcaram presença ao lado dos executivos da AMD.

Por fim, a CEO da empresa, destacou que o Epyc marca apenas o começo de uma nova fase da AMD e revelou que os seus sucessores, de codinomes Rome e Milan, deverão ser lançados nos próximos anos, até 2020.

*O jornalista viajou a Austin a convite da AMD.