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Acrilex migra seu sistema corporativo para a nova plataforma isCobol

Maior ganho foi de performance. Por exemplo, tempo de geração de relatório caiu à metade e acabaram-se as paradas de reinicialização

26 de Outubro de 2016 - 13h55

A Acrilex, fabricante brasileira que produz mais 13 mil toneladas de tintas artísticas, além de outros produtos, num total de 3 mil itens comercializados em mais de 10 mil PDVs no território nacional, sem contar 35 países para onde a empresa exporta, migrou seu sistema corporativo, incluindo todas as suas aplicações de negócio. O projeto de migração para a plataforma isCOBOL envolveu mais de 2 mil programas e 700 layouts.

O isCOBOL foi desenvolvido pela Veryant, e o trabalho de migração foi planejado e executado pela equipe de analistas da Acrilex, com suporte e consultoria da Interon, empresa de soluções e serviços para as aplicações críticas de missão de negócios de setores como indústria, varejo, e governo. Como benefícios resultantes do processo, a Acrilex a aponta vantagens de custo, escalabilidade e performance de nova geração de plataformas. Além disso, os usuários dispõem de sistemas mais rápidos e amigáveis e a TI simplifica a evolução da arquitetura de dados e dos serviços.

“Três fatores pesaram no projeto: o aproveitamento do legado; a experiência da Interon de migração do Cobol antigo e o modelo comercial e de suporte”, avalia Patrícia Del Santi, gestora de TI da Acrilex. Segundo ela, testes com as ferramentas indicaram que o isCOBOL oferecia melhor suporte ao trabalho de customização do código.

“No primeiro momento após a implementação, o maior ganho, destacado pelos próprios usuários, foi de performance”, conta a gestora. “Em uma aplicação, o tempo de geração de relatório foi reduzido à metade. Outro problema que deixamos de ter foram as paradas por reinicialização do servidor, antes frequentes para liberar o acesso a arquivos.”

Edson Takao Kobashi, diretor da Acrilex, ressalta que o ganho de performance ocorreu sem nenhuma expansão de hardware. “O software usa de forma mais eficiente o processador. A ferramenta anterior não conseguia usar o ambiente distribuído e o isCobol por si só já faz com que as aplicações aproveitem melhor os recursos.” Junto às limitações do Cobol anterior, ele ressalta que o legado rodava em um Unix com suporte descontinuado. “Não conseguia escalar, mesmo com atualização de servidor. Tinha capacidade de processamento, memória, mas não implicava mais performance.”

A arquitetura do isCOBOL, além de resolver os gargalos imediatos, elimina obstáculos a futuras atualizações de plataformas de sistema operacional e servidor, de acordo com Patrícia.. “Hoje estamos com Linux, mas a portabilidade das aplicações rodando em isCOBOL é um grande facilitador”, reconhece, destacando, ainda, a oportunidade de revitalizar a interface das aplicações, com os recursos de IDE (ambiente de desenvolvimento integrado) da nova plataforma.

Junto com a atualização da infraestrutura, e aproveitando o suporte da consultoria, a Acrilex aproveitou a mudança tecnológica para reformular a arquitetura de dados, com uma base consolidada sobre a plataforma DBMaker. Desenvolvido pelo The Syscom Group, o banco de dados relacional (RDBMS) serve diretamente às aplicações Cobol, ao mesmo tempo em que torna as informações disponíveis a ferramentas de análise, aplicativos periféricos e outros serviços.

A gestora de TI esclarece que, neste momento, a equipe de TI ainda está na fase de planejamento da mudança em algumas aplicações, em que se substituiriam arquivos ISAM (método de acesso indexado sequencial) por chamadas ao DBMaker. “Temos centenas de arquivos ISAM e vamos aproveitar para remodelar as bases e tabelas antes de concluir a migração”, diz.

Embora seja uma iniciativa incipiente, ela acredita que a consolidação de uma base de dados segura e padronizada permitirá que as aplicações, em Cobol e outras linguagens, trabalhem com informações em tempo real. Além do Cobol, os desenvolvedores da Acrilex programam em outras tecnologias, alguns aplicativos de front end e internet. “É no sistema corporativo que nasce a informação. A consolidação sobre DBMaker eliminaria os processos de conversão de formatos e outros gargalos de interoperabilidade que geram inconsistência”, prevê.

Próximos passos

A Acrilex tem cerca de 500 funcionários e 52 anos de experiência no mercado. O sistema corporativo, desenvolvido em Cobol, integra todas as atividades da companhia, da entrada de matéria-prima, formulação de produtos à parte administrativa. “Sem o sistema, não produzimos nem vendemos uma gota de tinta”, resume Takao.

O especialista em sistema de negócios conta que se cogitou a migração para um ERP de mercado. Mas, nas análises de funcionalidades, a adoção de um pacote implicaria rupturas em todos os processos industriais, de gestão e financeiros, ou então grandes esforços e orçamentos de parametrização. Segundo ele, além do valor que as áreas operacionais e administrativas dão ao sistema, toda equipe de TI tem familiaridade com as funcionalidades do software. Portanto, a combinação desse conhecimento das regras de negócios aos novos recursos de desenvolvimento do isCOBOL permitiram, na sua opinião, o melhor atendimento às reais demandas dos usuários e da companhia.

Decidida a atualização do sistema corporativo, a prioridade inicial da TI da Acrilex era minimizar o impacto da migração, em termos técnicos e financeiros. “A Interon apresentou a melhor proposta técnica, tinha referências de projetos semelhantes e veio com um modelo de licenciamento mais simples”, diz Takao. “Concluímos a implantação das aplicações em isCOBOL no início do semestre. A partir de agora, começaremos a trabalhar em outras mudanças.”

Patrícia adiante que os próximos passos envolvem trabalhar com recursos que os usuários já demandavam. “Atualizaremos a interface das aplicações legadas com IDE, para torná-las mais amigáveis. Também analisaremos a arquitetura e a modelagem de dados para migrar para uma base consolidada. A ferramenta isCOBOL apoiará ainda outros projetos, com aplicações web services para comunicação dos sistemas da área de logística.”