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60% das mulheres que trabalham com TI já sofreram assédio sexual

Batizada de "Elefante no Vale", nova pesquisa detalha experiências de assédio sexual e moral em empresas do Vale do Silício

12 de Janeiro de 2016 - 16h23

A indústria de tecnologia não tem uma boa reputação quando o assunto é igualdade de gênero ou tratamento a mulheres. Pois uma pesquisa recém-divulgada endossa a má fama em questão. Batizada de "Elefante no Vale", o estudo detalha experiências de assédio sexual e moral, exclusão e tem como foco empresas do Vale do Silício.

Segundo suas co-autoras Trae Vassallo, investidora e ex-sócia da empresa de capital de risco Kleiner, Perkins, Caufield & Byers (KPCB) e a consultora de mídia, Michele Madansky, o estudo foi inspirado pelo julgamento de Ellen Pao contra a KPCB, empresa por onde trabalhou por sete anos.

Pao reivindicava que a companhia a discriminou pelo fato de ela ser mulher, negando promoções, excluindo de eventos e pedindo que ela se sentasse ao fundo em reuniões. Ela, que chegou a ser CEO do Reddit, perdeu o caso.

“Elefantes são aquelas mulheres que enfrentam uma série de preconceitos conscientes e inconscientes no local de trabalho, e queríamos obter os dados sobre as experiências que as mulheres enfrentam em público para uma conversa”, explica Trae Vassalo, ao Re/Code, sobre o título do relatório. 

A pesquisa ouviu mais de 200 mulheres com carreiras que beiravam dez anos de experiência. Mais de 70% delas estão acima de 40 anos e 75% delas têm filhos.

Algumas das mulheres que responderam o estudo trabalham atualmente para empresas como Google, Apple, assim como startups. Tais profissionais estão em altas posições, com um quarto dela sendo executivas sênior e 11 sendo fundadoras de companhias.

Separamos alguns dos resultados extraídos da pesquisa, você pode ter acesso a ela na íntegra nesse link.

• A 84% das mulheres foi dito que elas agiam de forma muito “agressiva”

• 88% tinham clientes e colegas que direcionaram perguntas aos colegas homens quando deveriam ser direcionadas a elas

• 66% das mulheres foram excluídas de oportunidades sociais e de networking por conta de seu gênero

• 60% reportaram abordagens de cunho sexual não desejadas, dois terços delas vindo de superiores

• 39% das que foram assediadas não fizeram nada por medo de retaliação

•47% das entrevistadas disseram que já lhe foram direcionados pedidos que estavam abaixo de seus papéis, como tomar notas ou pedir comida, algo que não era pedido ou esperado de seus colegas homens

• 75% das mulheres foram perguntadas sobre vida familiar, crianças e status de relacionamento durante entrevistas

A pesquisa “Elefante no Vale” também abre espaço para mulheres compartilharem suas histórias através do site. A autoria delas permanecerá anônima.