Tecnologias Emergentes > Telecom

5G pode gerar oportunidades para o agronegócio e ampliar políticas sociais

Para especialistas a quinta geração de internet móvel pode ajudar a reduzir a divisão digital no Brasil, levando educação de qualidade à população rural

06 de Dezembro de 2017 - 17h17

O uso da quinta geração de internet móvel (5G) nas áreas remotas do Brasil representa uma oportunidade para aumentar a produtividade do agronegócio e levar programas sociais para a população rural. A conclusão é de representantes do governo, academia e indústria que participaram de painel no ICT Week, evento que reúne pesquisadores, governo e empresas de tecnologia do Brasil e do exterior para discutir segurança cibernética, Internet das Coisas, serviços over the top (OTT) e tecnologia 5G. 

“A agricultura, economicamente, é muito importante para o país e pode se beneficiar muito da conectividade, principalmente usando soluções de Internet das Coisas. O 5G também pode ajudar a diminuir a divisão digital do país, dar acesso à internet à população, levar educação de qualidade para as áreas remotas, o que pode alavancar o país socialmente”, afirma o professor do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) José Brito.

Com recursos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel), o Centro de Referência em Radiocomunicações (CRR) do Inatel desenvolveu um protótipo nacional para levar a conexão 5G a áreas de baixa intensidade populacional. A tecnologia foi demonstrada em agosto, em Brasília. Os padrões para uso e funcionamento do 5G estão em discussão em fóruns internacionais e a expectativa mundial é que em 2020 comecem a funcionar as primeiras redes nessa tecnologia.

Desafios a serem vencidos

Para Fabricio Lira, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), entre os desafios tecnológicos para levar o 5G às áreas remotas estão aspectos como o custo da infraestrutura, manutenção e um uso eficiente da energia elétrica para as estações. Segundo ele, o alcance da cobertura é essencial para o melhor aproveitamento da tecnologia. “No Brasil, nós temos um gap de conectividade, principalmente nas áreas rurais. Quando se pensa em Internet das Coisas (IoT), a cobertura geográfica da tecnologia passa a ser protagonista”, disse.

Já o vice-presidente de Desenvolvimento e Difusão da Sociedade Brasileira de Telecomunicações (SBrT), Cristiano Panazio, destacou que o 5G rompe barreiras digitais e tem potencial para criar novas aplicações, mas o trabalho dos pesquisadores e cientistas deve ter um ambiente propício para a inovação. “A academia pode propor inovações técnicas que permitam levar a tecnologia, mas precisa andar em conjunto com o setor produtivo e as operadoras e haver políticas que habitem isso”, relatou.

O gerente de Espectro, Órbita e Radiodifusão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Agostinho Linhares, explicou que a agência trabalha nos aspectos regulatórios para o uso eficiente do espectro eletromagnético a depender da demanda das futuras redes, além de discutir regras que se adequem às diferentes regiões do país, propondo mais regulação nas áreas onde não há competição.

Na opinião do diretor de Relações Institucionais da TIM, Leandro Guerra, a futura implantação do 5G terá desafios de conectividade, cobertura e modelo de negócios. Segundo ele, as políticas públicas devem incentivar o retorno dos investimentos das empresas, já que nas regiões rurais, o custo de implantação de infraestrutura é maior e a receita menor, em comparação com as áreas urbanas.

Para o diretor de Relações Públicas da Huawei, Carlos Lauria, a tecnologia 5G abre a possibilidade de diferentes cenários, que vão desde aplicações de Internet das Coisas que demandam muitos dispositivos conectados, mas em baixa velocidade, até a banda larga necessária para transmissão de vídeos em alta definição.

Já a pesquisadora Marja Matinmikko, da Universidade de Oulu, na Finlândia, contou a experiência do país e na Europa no uso das soluções de conectividade no turismo, nas regras de compartilhamento de infraestrutura entre as empresas e a participação de operadoras locais no mercado.