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5 destaques do depoimento de Mark Zuckerberg ao Senado nos EUA

Em mais de cinco horas de audiência, presidente do Facebook deu explicações sobre caso consultoria Cambridge Analytica

11 de Abril de 2018 - 11h24

Mark Zuckerberg encarou na última terça-feira (10/04) o seu primeiro e exaustivo depoimento ao Senado norte-americano sobre o escândalo envolvendo o uso indevido de dados de milhões de usuários manipulados pela consultoria Cambridge Analytica para influenciar as eleições norte-americanas em 2016.

Em mais de cinco horas de audiência, o presidente-executivo do Facebook se viu obrigado a jogar luz sobre o funcionamento da rede social que lançou ao mundo em 2004. Foram momentos de descontração e visíveis desconfortos, afinal, em toda a história de sua companhia, nunca o Facebook passou por tamanha e minuciosa peneira. No total, 44 parlamentares, entre democratas e republicanos, participaram da sessão.

No compilado abaixo, recapitulamos os principais pontos da audiência de Zuckerberg. Ainda nesta quarta-feira (11), o executivo passará por nova sabatina, no caso, no Comitê de Energia e Comércio.

1. Facebook sabia que a CA tinha dados de seus usuários e não agiu

Em 2015, o Facebook soube que a Cambrige Analytica teve acesso a uma base extensa de usuários da rede social. Mesmo assim, não agiu para banir o perfil da companhia, pois considerou-se à época que não tinha razão para fazê-lo. "Foi um erro não ter banido", admitiu. Desde que o escândalo chegou à imprensa no último dia 17 de março, muito se questionou por que o Facebook não notificou os 87 milhões de usuários afetados sobre a brecha. Ao Senado, Zuckerberg disse que na ocasião considerou que o caso estava encerrado, tendo em vista que a empresa chegou a solicitar que a CA eliminasse a base de dados que tinha obtido através do app "This is Your Digital Life", feito pelo pesquisador Aleksandr Kogan.

2. Mark Zuckerberg não consegue nomear seus competidores

Lindsey Graham, do Partido Republicano, confrontou Zuckerberg sobre o monopólio do Facebook: "Quem são os seus maiores competidores?". O executivo tentou resumir: "Senador, nós temos vários competidores", sem nomear outra empresa. Ele foi pressionado sobre o tamanho e a proporção que o Facebook tomou. "Deixe-me colocar desta forma. Se eu comprou um Ford e ele não funciona bem e eu não gosto, eu compro um Chevy. Se eu estiver chateado com o Facebook, qual é o produto equivalente que eu posso assinar? Há uma alternativa no setor privado?". Zuckerberg responde que o americano médio usa oito apps diferentes para se comunicar com seus amigos. Vale lembrar aqui que o Facebook detém o Messenger, WhatsApp e Instagram. "O senhor não acredita que tem um monopólio?", pergunta o senador para Zuckerberg responder: "Certamente não é isso o que parece para mim".

3. Influência nas eleições

Outro tópico espinhoso na recente trajetória do Facebook é seu uso para disseminar fake news, além de compra de anúncios para influenciar as eleições norte-americanas. Zuckerberg falou sobre a tentativa de exploração do Facebook por agentes russos para desestabilizar as eleições em 2016. E comparou o seu alcance com "uma corrida armamentista". Segundo Zuckerberg, atualmente 15 mil pessoas trabalham no time de segurança e espera ter 20 mil até o fim de 2018 para tentar coibir tais práticas.

O executivo também reforçou o uso de inteligência artificial para dar conta do alcance do Facebook. Sempre que perguntado sobre como o Facebook melhoraria suas ferramentas de moderação, ele se debruçou sobre a promessa da IA para ajudar a classificar rapidamente discursos de ódio e outros posts problemáticos.

4. O Facebook não é uma empresa de mídia, segundo Zuckerberg

O republicano John Cornyn pressionou sobre um dos efeitos colaterais do Facebook, aquele que questiona se a rede social se tornou uma empresa de mídia e, se assim a fosse, deveria ser regulada. "No passado, nos disseram que plataformas como Facebook, Twitter, Instagram, são plataformas neutras, e as pessoas que possuem e administram essas para obter lucro não têm responsabilidade pelo conteúdo. Você concorda agora que o Facebook e outras plataformas de mídia social não são plataformas neutras, mas têm alguma responsabilidade pelo conteúdo?", perguntou o senador. "Concordo que somos responsáveis ​​pelo conteúdo", defendeu Zuckerberg.

Dan Sullivan segue ampliando o debate ao dizer que, para alguns, o Facebook se tornou a maior editora do mundo. "Concordo que somos responsáveis ​​pelo conteúdo, mas não produzimos o conteúdo. Quando as pessoas nos perguntam se somos uma empresa de mídia ou uma editora, meu entendimento sobre o que eles estão realmente fazendo é: nós nos sentimos responsáveis ​​pelo conteúdo de nossa plataforma? A resposta é claramente sim. Mas eu não acho que isso seja incompatível com, no fundo, somos uma empresa de tecnologia".

5. "Nós rodamos anúncios, senador"

Zuckerberg também foi questionado sobre o modelo de negócios do Facebook e disse que, eventualmente, não descarta uma versão paga do Facebook e livre de anúncios. A Orrin Hatch, Zuckerberg disse que sempre haveria uma versão gratuita do Facebook, mas a outro senador não excluiu a possibilidade de uma versão paga. Um momento de desconforto aconteceu quando Hatch perguntou: "Como você sustenta um modelo de negócios no qual os usuários não pagam pelo seu serviço?". Zuckerberg responde com o óbvio: "Senador, nós rodamos anúncios".