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3 pilares importantes para a economia digital

Conectividade, segurança e excelência em execução são fundamentais de acordo com CEOs da Ericsson, McAfee e Red Hat

27 de Fevereiro de 2018 - 15h12

Quando se pensa em futuro da economia e ao mesmo tempo se tenta analisar todas as possibilidades e oportunidades que teremos a partir da tecnologia fica difícil prever algo. Quem sabe qual será a próxima grande inovação? Quem pode assegurar que tipo de transformação o 5G realmente promoverá em termos de serviços? Alguém arriscaria dizer que IoT, inteligência artificial e outras tecnologias emergentes têm 100% de chance de sucesso, sem qualquer percalço para a sociedade? É praticamente impossível responder a essas questões com tanta certeza. Por isso, preparar os fundamentos do negócio nunca foi tão vital.

Durante apresentação no Mobile World Congress (MWC) 2018, em Barcelona, os CEOs de Ericsson, McAfee e Red Hat compartilharam o que chamaram de pilares para estruturação dos negócios digitais. Obviamente, casa cada trouxe algo dentro de seu universo de atuação, mas que, pensando no futuro, faz sentido observar e trabalhar esses três pontos de alguma maneira.

1. Conectividade

Não deve ser surpresa para ninguém que quem tenha falado sobre este ponto seja o presidente e CEO da Ericsson, Borje Ekholm. Antes de dizer o porquê as empresas deveriam estar focadas na qualidade da conexão, ele fez questão de ressaltar que a própria Ericsson tem feito uma revolução interna ao eleger suas prioridades e trabalha-las no sentido de obter os melhores resultados futuros. “Há pouco tempo 5G era apenas um tópico de moda, para chamar a atenção, mas desde o ano passado as coisas ficaram mais claras”, pontuou. “Hoje temos diversos contratos para lançamentos comerciais. 5G provará o real valor da rede móvel”, concluiu.

Ele entende que com a qualidade de conexão prometida com o 5G, diversas aplicações lançadas ainda durante o domínio 4G passarão a funcionar como realmente se espera. Problemas causados pela latência atual serão eliminados, o que beneficiará, de acordo com o executivo aplicações industriais, controle de máquinas, realidades virtual e aumentada, entre outros. “Investir em inovação tecnológica e conectividade é a única maneira de manter-se competitivo”, avaliou. “No caso da rede, a chegada do 5G atenderá da forma correta aplicações de missão crítica, como cirurgias remotas, que não podem sofrer com rede congestionada. A comunicação precisará ser amplamente trabalhada nas empresas.”

2. Segurança da informação

Você pode até achar meio óbvio o CEO da McAfee, Christopher Young, dizer que um dos pilares fundamentais para negócios digitais é segurança da informação. Mas você pensa isso apenas por ele ser de um dos principais provedores de solução para este fim. No entanto, você sabe que ele tem toda razão. Num mundo amplamente conectado, com milhões de aplicações, sensores, coisas autônomas, APIs que ninguém sabe se estão sendo usadas por pessoas e empresas idôneas e com sua casa sendo controlada totalmente por um software, não há como não estar preparado do ponto de vista de segurança da informação.

E ninguém está dizendo que ao comprar esta ou aquela aplicação você estará 100% seguro, mas fazer a lição de casa é fundamental. O início da fala dele foi uma interação com o sistema de inteligência artificial Alexia o alertando sobre acessar informações pessoais em público. Na sequência, para dar ordem de grandeza do que estamos discutindo, ele lembrou que, em 2008, quando a Apple anunciou a App Store, eram 500 aplicativos disponíveis. Hoje, são mais de 2 milhões e uma coleção de 180 bilhões de downloads. “Quem aqui consegue imaginar nossas vidas e trabalhos sem alguns aplicativos atualmente? Quem é responsável pela segurança nesses casos? O desafio está em balancear segurança e experiência do cliente”, disparou.

Atualmente, o mundo convive com 600 mil ameaças diárias em mais de 300 milhões de devices. “E em termos de ameaça não podemos estar ligados apenas naquilo que é novo, mas, também, em ameaças passadas que se renovam. A complexidade é gigantesca, porque tem ataques isolados, combinados e aqueles que são criados do zero. O meu convite para qualquer empresa que queira sobreviver a esta revolução é que faça de cibersegurança um padrão de qualidade. Segurança não pode ser um adendo, um opcional na era das múltiplas conexões.”

3. Excelência em execução

Talvez o tópico menos óbvio tenha sido abordado pelo presidente e CEO da Red Hat, Jim Whitehurst. O executivo contou um pouco da história da empresa e disse que, dado o ambiente atual e o que se pode esperar do futuro, as empresas deveriam deixar o hábito de planejamentos longos e demorados e focar em coinovação e excelência em execução. “Muitas vezes me pego perguntando sobre como asa empresas deveriam se preparar para o futuro. Parece besteira, mas acredito que essa pergunta deva servir de uma reflexão profunda sobre o negócio. Você não tem como estar pronto para tudo, até porque não sabemos o que será esse tudo. Não sabemos o que 5G irá representar de fato. Não sabemos o que acontecerá com IoT na ponta e tampouco sabemos se tudo terá o sucesso imaginado”, provocou.

O executivo compartilhou que o modelo de inovação da Red Hat é 100% open source, o que significa estar em ação na comunidade o tempo todo. Essa forma de inovar reflete também no modelo de negócio, que consiste em agrupar essas inovações e convertê-las em produtos. Além disso, para que as coisas caminhem com resultados importantes, metade do tempo é investido com empresas pequenas e inovadoras e a outra metade com grandes grupos que tenham excelência em execução.

“O planejamento da forma como vínhamos trabalhando até então não resiste num mundo de mudanças rápidas e onde o inesperado pode acontecer a qualquer momento. Foque nas grandes ideias e lembre-se que elas são forjadas por um conjunto de boas ideias, ou seja, invista no brainstorming dentro e fora de casa. O diálogo é essencial, já que muitas das inovações virão de fora da sua empresa.”

*O jornalista viajou à Barcelona a convite da Huawei