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2020 deve marcar operação 5G em grande escala

Alta velocidade deve permitir avanço maior de conectividade em locais pouco atendidos atualmente

26 de Fevereiro de 2018 - 09h59

Ao que tudo indica as redes 5G devem estar em operação em grande escala já em 2020. Pelo menos é o que apontam as previsões de especialistas presentes no Mobile World Congress (MWC) 2018, em Barcelona. Ainda que muita gente em países como o Brasil possa achar distante esse mundo da ultra velocidade na banda móvel, por conta de problemas básicos e localidades onde mal funcionam o 3G, os testes em diversas partes do mundo avançam e a disseminação dessa tecnologia pode trazer surpresas no quesito inclusão digital.

Para Ryan Ding, presidente do grupo de telecom da Huawei, as redes 5G trarão um mundo totalmente novo, pela possibilidade de realmente deixar com que tudo esteja conectado e praticamente sem latência. Um dos grandes dilemas quando se discute carros conectados ou qualquer projeto em escala de internet das coisas (IoT) é justamente a latência das redes atuais, que poderia fazer com que um carro autônomo provocasse acidente pela demora no retorno da comunicação, algo que, com 5G, estaria resolvido.

“Estamos trabalhando para que 5G seja implantado o mais rápido possível. A tecnologia já está pronta. Se olharmos para nosso trabalho, as pesquisas começaram em 2009, mas hoje temos o core da rede, chips e smartphones com capacidade para absorver esse tipo de conexão”, afirmou o executivo.

Na mesma linha de raciocínio sobre os benefícios das conexões 5G segue o CTO do China Mobile Research Institute, Liu Guangyi. Para ele, se 4G mudou a vida das pessoas, 5G causará uma transformação na sociedade, por meio da conexão de vestíveis, realidade aumentada, entre outros. “Os desafios envolvem a demanda massiva por dados e, em segunda instância, os requerimentos vindos dos mais diversos setores, como saúde e finanças. Nossa visão é para que as redes 5G estejam em operação em larga escala já em 2020.”

Mesma opinião da líder do programa de 5G da Deutsche Telekom, Antjel Williams. Além da aposta nessa implantação em grande escala, a executiva entende que essa tecnologia trará a rede mais centrada no consumidor que já foi vista. “Me recordo de discussões sobre essas redes há três ou quatro anos onde sempre falava-se das necessidades dos clientes e, agora, chegou o momento em que a rede entregará o que eles realmente querem. Entregaremos a demanda da sociedade digital do gigabit.”

Amplitude desconhecida

Para a especialista alemã, a velocidade de conexão das redes 5G deve permitir coisas que ainda nem foram imaginadas em diversos segmentos de negócio. Mídia imersiva é um dos segmentos que ganhará muito, pontuou. Além disso, ela citou a distribuição da conexão sem fio de alta velocidade para residências e outras localidades a partir de transmissores instalados em postes de energia, eliminando a necessidade de cabeamento para conexão decente, como ainda acontece em mercados como o brasileiro.

A própria Huawei tem produto que atua nessa linha, não para oferecer banda larga móvel residencial, mas, sim, como antenas no meio das cidades, onde existe limitações por legislações locais. Chamado de Lite Site, o equipamento foi confeccionado para ser instalado dentro de postes de luz e, com isso, enviar sinal aos assinantes das operadoras usuárias da plataforma. Rio de Janeiro e Brasília já contam com algumas instalações do tipo.

Mas a ideia, com a chegada do 5G, é que um equipamento similar possa ser posicionado em postes e enviar sinal para transmissores instalados em residências e qualquer localidade onde não haja oferta de banda larga fixa por fibra. O vice-presidente de rede e operadoras para mercados emergentes da Huawei, Zhou Jianjn, lembrou que existem no mundo 4,2 bilhões de pessoas sem conexão de banda larga móvel, 1,1 bilhão sem banda larga fixa e outras 850 milhões sem qualquer tipo de conexão, sem contar as 450 milhões com conexões adsl demandando atualizações.

“O grande desafio das operadoras nesses mercados é balancear demanda e disponibilidade e otimizar custo e receita. Em alguns mercados a penetração de banda larga fixa é inferior a 5%, assim, se você encontra uma solução com custo viável, as coisas podem mudar. Por isso, algo que estamos trabalhando é essa banda larga móvel residencial”, explicou.

*O jornalista viajou à Barcelona a convite da Huawei