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2016: O ano em que tecnologia 5G realmente decolou

Mas, apesar dos avanços no desenvolvimento e dos testes de campo com a tecnologia, as novas redes ainda devem demorar para chegar aos consumidores

21 de Novembro de 2016 - 16h53

Os testes com a 5G, a quinta geração de redes móveis, começaram a sair do papel em 2015, mas somente neste ano foram realizados movimentos significativos da indústria de tecnologia para trazer essa nova tecnologia para os consumidores. Gigantes da indústria de chip como Qualcomm e Intel, players da área de infraestrutura como Ericsson e Nokia e, claro, as principais operadoras de telefonia móvel têm surpreendido com o anúncio de inúmeros avanços no desenvolvimento da tecnologia e testes de campo nos últimos meses. Diante disso, para dar uma idéia ao leitor dos projetos que estão em andamento, Computerworld fez um cronograma dos testes com 5G que estão em andamento.

Dois dos projetos mais comentados com tecnologia 5G começaram em 2014 ­─ um era NTT DoCoMo, do Japão, e o outro da AT & T, em Middletown, nos EUA, mas os testes em grande escala não descolaram até recentemente.

A nova onda de anúncios de redes 5G começaram, na realidade, no Mobile World Congress deste ano. No entanto, uma série de operadoras, fornecedores de smartphones e de redes haviam anunciado em ferevereiro a realização de testes de 5G. Mas a principal notícia foi que a Federal Communications Commission (FCC), responsável por regular o setor de telecomunicações nos EUA, decidiu liberar as faixas de frequência que a tecnologia 5G precisará usar.

A Ericsson e a Nokia, particularmente, têm sido muito ativas e se envolvido em inúmeros testes com inúmeros parceiros. Esse protgagonismo faz sentido, dado que a tecnologia 5G pode gerar um ciclo de modernização das redes particularmente lucrativo ­─ um grande número de estações radiobase menores, implantadas para cobrir áreas de demanda densa, vão controlar grande parte das redes 5G.

A Qualcomm também tem assumido um papel de proa em relação a tecnologia 5G, já que uma grande proporção de dados 5G, especialmente nos EUA, trafegarão por terminais que usam seus semicondutores. A fabricante de chip tem se envolvido profundamente nos testes e nas pesquisas da tecnologia, normalmente em parceria com operadoras e fabricantes de hardware.

O ritmo acelerado de pesquisa e desenvolvimento significa que estamos mais perto do que nunca de padrões funcionais e design de referência para 5G, o que é pré-requisito para a implantação em massa da tecnologia.

É pereciso advertir que operadoras, fabricantes de equipamentos e outras partes envolvidas têm sido pródigos em trombetear que estão trabalhando na tecnologia 5G, mas divulgam datas precisas e a natureza específica de seus testes. Isso sugere que essas empresas pensam que há alguma diferenciação competitiva a ser obtida.

As principais operadoras dos EUA, particularmente, têm se mantido relativamente caladas sobre o assunto. Mas isso não quer dizer que elas não tenham projetos de 5G. A Sprint, por exemplo, demonstrou a sua tecnologia de centímetro de onda (15 GHz) em um jogo de futebol da Copa América, na Filadélfia, fornecendo velocidades de download de 4 Gbps para os participantes e exibindo feeds de vídeo ao vivo de 4 K.

O teste recente da tecnologia de onda milimétrica (70 GHz) da NTT DoCoMo forneceu 48 Gbps de throughput (taxa de transferência), e a T-Mobile diz que atingiu 12 Gbps com menos de 2 milissegundos de latência.

Esses números são mais que atraentes, sem dúvida, mas são uma gota d’água no oceano, posto que a velocidade alvo real para a conectividade 5G está em torno de 100 Mbps a 1Gbps, dependendo do contexto e quem se está falando, o que reflete a grande demanda de carga de um ambiente no mundo real. Mas mesmo no limite inferior, vale a pena notar que isso é aproximadamente dez vezes mais rápido do que a média das conexões 4G nos EUA, de acordo com um relatório divulgado em fevereiro pela OpenSignal.

O cronograma para a disponibilidade geral da 5G prevê que o trabalho de padrões estará concluído até 2018 ou 2019 e a implantação nos clientes deve ocorrer até 2020. A Ericsson, uma das principais protagonistas no desenvolvimento da 5G, anunciou recentemente que cerca de um quarto dos dispositivos móveis existentes no mundo utilizarão a tecnologia 5G até 2022, o que se aproxima da previsão de muitos analistas que prevêem 2023 como a data aproximada de disponibilidade das redes 5G.

De certo mesmo é que a tecnologia 5G ainda deve demorar para chegar aos consumidores, já que ainda há um longo caminho a ser percorrido. Mesmo porque a União Internacional de Telecomunicações (UIT) só prevê definir as especificações em 2020.

Com informações de Jon Gold, do Network World (EUA).